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Sérgio Soeiro
01 Dez, 2008
"Para a Mariane:
Essa música foi criada originalmente em italiano, em 1965, em plena época da Guerra do Vietnã (1962-75). Comparando-se o poderio militar dos EUA em relação àquele minúsculo país asiático, o que no início parecia ser favas contadas, veio a ser uma das maiores derrotas já sofridas pelo império ianque. O ano de 1965, como se sabe, marcou a completa intervenção militar dos EUA no Vietnã. Os 23 mil soldados norte-americanos de janeiro passaram a 267 mil em junho, chegando a inimagináveis 543 mil americanos nos anos finais. Neste ano (1965) a guerra ganhou a mídia mundial, com suas atrocidades sendo levadas para o mundo inteiro em horário nobre. O país considerado berço da liberdade chegou a adotar o serviço militar obrigatório. A guerra foi se tornando antipática para a juventude americana, que para fugir à obrigação de ser recrutada para uma guerra pela qual não nutria nenhum interesse, mergulhou num movimento de contestação chamado de movimento Hippie o qual se espalhou por muitas partes do mundo. Tendo como mote o chavão “paz e amor”, os jovens produziram muitas formas de contestar a ordem vigente, sendo a principal delas justamente a música. Através desta, multidões manifestavam-se contra guerrilhas ocorridas em várias partes do mundo, em especial, a Guerra do Vietnã. Foi nesta época que vários artistas se engajaram na luta pela paz, como: Bob Dylan, John Lennon, Joan Baez, Jimi Hendrix, Etc. “Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones” não é uma música engajada politicamente. Por ser composta por músicos italianos (Migliacci – Lusini), traz a cultura do “sofrimento” latino, tão comum nas melodias italianas, e usa o pano de fundo da guerra para tratar de sofrimento pessoal, desventuras, confronto de sonho com realidade.
A letra é muito simples, não contém metáforas para serem desvendadas, e narra a história de um jovem livre e feliz, apaixonado por música (especialmente Beatles e Rolling Stones grupos dos quais sabia tocar muitas músicas como Help, Lady Jane, Etc.) e justamente por saber tocar guitarra, fazia muito sucesso com as garotas. Um dia ele se vê obrigado a abrir mão de tudo isso, pois fora convocado pelo seu país, os EUA, para ir lutar no Vietnam, numa guerra pela qual não nutria nenhum interesse, lutar contra pessoas as quais não tinha como inimigos, distante de tudo aquilo que amava. O sofrimento da guerra é narrado fazendo contraponto com tudo aquilo que o autor considera como liberdade (cabelos longos/corte de cabelo militar ; guitarra/metralhadora)... Até que, por fim, o personagem morre e ele descreve o simbolismo da falta de humanidade da guerra na imagem de que no lugar de um coração no seu peito, só lhe restam duas medalhas de “honra ao mérito”."