Engenheiros do Hawaii

A Revolta dos Dândis

Álbum: Acústico (Ao Vivo) [Deluxe] • 2004

A Letra

Entre o rosto e o retrato, o real e o abstrato
Entre a loucura e a lucidez
Entre o uniforme e a nudez
Entre o fim do mundo e o fim do mês
Entre a verdade e o rock inglês
Entre os outros e vocês

Eu me sinto um extrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
Que não passa de ilusão

Entre mortos e feridos
Entre gritos e gemidos
A mentira e a verdade
A solidão e a cidade
Entre um copo e outro da mesma bebida
E entre tantos corpos com a mesma ferida

Eu me sinto um extrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
Que não passa de ilusão

Entre a crença e os fiéis
Entre os dedos e os anéis
Entra ano e sai ano, sempre os mesmos planos!

Wntre a minha boca e a tua há tanto tempo, há tantos planos
Mas eu nunca sei pra onde vamos

E eu me sinto um extrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
E que não passa de ilusão

Que não passa por aqui, não
E que não passa de ilusão!

Análises

Sua visão

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G

Gilberto M Cruz

06 Mar, 2021

0
"Não sou um conhecedor da obra de Albert Camus "O estrangeiro" e nunca havia me detido a interpretar a letra dessa música de Composição de Humberto Gessinger, no Álbum A REVOLTA DOS DÂNDIS, Ano de lançamento: 1987, e, também, agora é que estou sabendo que "Dândis" refere-se a alguém extremamente culto e demais elegante. Penso que em "Dândis II", após ler a contribuição das outras análises aqui postadas, o compositor quis afirmar que estamos sem rumo, pois não sabemos ao certo a que e a quem recorrer, haja vista que nada nem ninguém mais se diferencia, por mais que queiramos. Quais são os dedos ou os anéis? Os três poderes seriam três patetas? (quem pode o quê? será que o interesse de um não se funde nos dos outros e vice-versa? será que há equilíbrio, igualdades ou diferenças realmente? Percebe-se isso quando ele afirma: "(...) Já não vejo diferença entre a crença e os fiéis Tudo é igual quando se pensa em como tudo poderia ser Há tão pouca diferença e há tanta coisa a fazer Esquerda e direita, direitos e deveres, os 3 patetas, os 3 poderes (...)""
A

Aline Batista

24 Mar, 2020

0
"Aqui é a Aline Batista, eu gostei muito do seu artigo seu conteúdo vem me ajudando bastante, muito obrigada."
F

Fernanda Hellen

20 Jan, 2020

0
"Não sei se ajuda em algo, mas Oscar Wild era do movimento dândi e escreveu o retrato de Dorian G. Talvez daí venha o rosto é o retrato. O movimento tinha haver com sensibilidade, beleza, senso estético. Pessoas que procuravam se distanciar da realidade podre das cidades tomadas pela revolução industrial ao ocupar-se com poesia, roupas finas, ócio e lazer. Sim, filhos de papaizinho."
M

Marcus

15 Dez, 2019

0
"Quando ele fala estrangeiro e passageiro de algum trem, ele se refere a Albert Camus, o autor de o estrangeiro e morreu num acidente de carro, desistindo na última hora de fazer a viagem de trem e ir de carro."
J

Jose Guilherme Braz Correia

24 Dez, 2018

0
"Ele se sente um estrangeiro. Passageiro de algum trem. Que nao passa por aqui. Que nao passa de ninguem rsr."
A

Ana Paula

28 Set, 2018

0
"E eu tinha acabado de escutar essa música e me veio uma incerteza enorme sobre o que deveria postar a respeito da música no meu perfil. Eu pensei, estamos aqui todos de passagem e podemos partir de uma hora para outra sem destino certo. Ficar preso a ideias ou a valores que nos "cegam" seria perder tempo demais. Acho que estou viajando, mas foi o que eu senti na música."
E

Erlon

06 Jul, 2018

0
""Eu me sinto um estrangeiro.." = não sou um!! "Que não passa por aqui." = que recuso, que não acredito!!"
F

Francirlene Queiroz

30 Maio, 2018

0
"Muito obrigada por compartilhar conosco tão bela analise. Parabéns! E de quebra,como pessoa inteligente e educada que és,demostrou humildade ao dizer que não entendeu uma pequena parte,abrindo desta forma espaço para interação e contribuições. A braço."
J

Júlia Sampaio

30 Nov, 2017

0
"Sábia interpretação, Antônio Henrique"
J

Júlia Sampaio

30 Nov, 2017

0
"A referencia de "A revolta dos Dandis vem de um capitulo de um livro entitulado "O homem revoltado", de Albert Camus. Por tanto, nome não poderia ser outro. Alem do mais, Dandis quer dizer "sábio", não "playboy" kkkkk. Mas foi uma ótima análise, obrigada!"
E

ellen

30 Jul, 2014

0
"mais ou menos"
A

Antonio Henrique

23 Fev, 2014

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"Meus prezados, primeiro queria deixar anotado que pra mim é uma honra poder analisar as letras do maior roqueiro e poeta que já existiu no Brasil, que me desculpem os fãs da legião, mas vamos lá!!! Gessinger nessa música fala dos Dândis, que são cavalheiros por sua essência e não porque são advindos da nobreza, são até meio sem emoções. Hoje o termo Dândi é usado pejorativamente, mas no passado não, pois eram pessoas que além de ligados a aparência impecável eram diferenciadas, cultas. Aliás, um trecho da música deixa claro o que Gessinger quer passar: (...)"Eu me sinto um estrangeiro Passageiro de algum trem Que não passa por aqui Que não passa de ilusão"(...) Notem: Um estrangeiro, alguém que não combina com o mundo que vive, tanto é que Albert Camus, filósofo que era um dândi, escreveu a obra O estrangeiro (Gessinger claramente se diz fã de Camus), Esse estrangeiro era um cara que perde a mãe e não demonstra emoção... Tempo depois, de forma até meio acidental, comete um assassinato, mas é uma pessoa sem emoções, desligada do mundo, sem emoções até no enterro de sua mãe, ele então acaba sendo executado e a principal acusação é a falta de emoção no velório da mãe... A música continua com uma crítica: (...)"Entre a crença e os fiéis"(...) O estrangeiro é assassinado, as pessoas são fiéis a seus acusadores sem sequer perguntar o porquê, semelhante às pessoas hoje que aceitam tudo... É isso Um dândi de certa forma é alguém sem emoções, mais preocupado com as vaidades... As músicas dos engenheiros são profundas e merecem todo o respeito que tem..."
A

Antonio Henrique

23 Fev, 2014

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"Meus prezados, primeiro queria deixar anotado que pra mim é uma honra poder analisar as letras do maior roqueiro e poeta que já existiu no Brasil, que me desculpem os fãs da legião, mas vamos lá!!! Gessinger nessa música fala dos Dândis, que são cavalheiros por sua essência e não porque são advindos da nobreza, são até meio sem emoções. Hoje o termo Dândi é usado pejorativamente, mas no passado não, pois eram pessoas que além de ligados a aparência impecável eram diferenciadas, cultas. Aliás, um trecho da música deixa claro o que Gessinger quer passar: (...)"Eu me sinto um estrangeiro Passageiro de algum trem Que não passa por aqui Que não passa de ilusão"(...) Notem: Um estrangeiro, alguém que não combina com o mundo que vive, tanto é que Albert Camus, filósofo que era um dândi, escreveu a obra O estrangeiro (Gessinger claramente se diz fã de Camus), Esse estrangeiro era um cara que perde a mãe e não demonstra emoção... Tempo depois, de forma até meio acidental, comete um assassinato, mas é uma pessoa sem emoções, desligada do mundo, sem emoções até no enterro de sua mãe, ele então acaba sendo executado e a principal acusação é a falta de emoção no velório da mãe... A música continua com uma crítica: (...)"Entre a crença e os fiéis"(...) O estrangeiro é assassinado, as pessoas são fiéis a seus acusadores sem sequer perguntar o porquê, semelhente às pessoas hoje que aceitam tudo... É isso Um dândi de certa forma é alguém sem emoções, mais preocupado com as vaidades... É isso... As músicas dos engenheiros são profundas e merecem todo o respeito que tem..."
J

João Ismael de Oliveira Silva

23 Fev, 2013

0
"O que seria Dândi? Segundo minha pesquisa, Dândi significa um homem elegante, que se veste muito bem. Esse termo fora usado como uma metáfora para designar a uma pessoa que se diferencia das demais. Uma pessoa de alta intelectualidade que percebe-se em um mundo de alienação, por isso ele se diz ser um estrangeiro."
J

Jean Endres

12 Jul, 2010

0
"A Revolta dos Dandis é o título de um dos capítulos do livro "O Homem Revoltado" de Albert Camus. Esta letra é puramente existencialista, pra quem não conhece o existencialismo é bom ler Kierkegaard e depois Sarte e depois Camus entre outros. Basicamente o que a letra trata é o questionamento sobre qual o sentido de viver esta vida em que as escolhas são pré-determinadas. "estrangeiro passageiro de algum trem" é o próprio sujeito vivendo o "trem da vida", sobre trilhos pré determinados. Na segunda parte da música ele fala da diferenca entre a os dedos e os anéis a crenca e os fiéis etc etc. Ou mesmo na primeira entre o rosto e o retrato, o real e o abstrato tratam da falta de liberdade, nascemos todos condenados a viver e a morrer, e todos os sentimentos e escolhas são pré determinadas. AHH não sei se consegui explicar direito, mas isso é o que é. E sim, o Estrangeiro é o personagem do livro homônimo, um cara que vive completamente alienado de qualquer sentimento e é portanto "livre"."
J

Juarez Veiga

13 Abr, 2010

0
"Caro Jeferson, muito legal sua retórica, acredito, no entanto que foi usado o termo Dandis justamento para fazer alusao a esses "problemas" esses questionamentos. O personagem titulo (Dandi) se sente um estrangeiro um passageiro que tudo vê, observa, porém nada faz para interceder, como um Dandi senão alheio aos questionamentos, incapaz de decidir sobre eles. Forte abraço."
M

Mateus

22 Mar, 2010

0
"Ele usou dândis pq a palavra quer dizer inteligente sábio, logo a música fala sobre a revolta dos sábios ou intelectuais."
J

Jeferson Martins

17 Fev, 2009

0
"Essa música é fabulosa... Ela é uma visão do Livro de Alberto Camus, "O Estrangeiro": Ve-se claramente isto, através do refrão: "Eu me sinto um estrangeiro". O livro conta a história de Meursault, uma personagem cuja personalidade é fora dos padrões, o que encaixa o livro no que chamamos de Literatura do Absurdo. Ele simplesmente não toma decisões... É... Verdade... Ele é meio indiferente às coisas... Tentarei reproduzir, de cabeça, um diálogo dele, no livro: A namorada dele: - você quer se casar comigo? Meursault responde: - Sim. - Mas você me ama? - Não. - Se outra mulher lhe pedisse em casamento, você aceitaria? - Provavelmente sim. Eu não vou contar a história do livro, pois perderia a graça do futuro leitor, mas para analisar essa música, tornou-se necessário falar dessa peculiaridade da história. Pois bem, reparem que o Eu-Lírico, assim como a personagem do livro, está sempre "em cima do muro", sempre entre uma coisa e outra, nunca tomando uma posição específica: "Entre o rosto e o retrato, o real e o abstrato Entre a loucura e a lucidez Entre o uniforme e a nudez Entre o fim do mundo e o fim do mês Entre a verdade e o rock inglês Entre os outros e vocês" Há uma outra música, entitulada A Revolta de Dandis II. que segue o mesmo tema: Já não vejo diferença entre os dedos e os anéis Já não vejo diferença entre a crença e os fiéis Tudo é igual quando se pensa em como tudo poderia ser Há tão pouca diferença e há tanta coisa a fazer Esquerda e direita, direitos e deveres, os 3 patetas, os 3 poderes Ascenção e queda, são os dois lados da mesma moeda Tudo é igual quando se pensa em Como tudo poderia ser Há tão pouca diferença há tanta coisa a escolher é tanta coisa a fazer Nossos sonhos são os mesmos há muito tempo Mas não há mais muito tempo pra sonhar Nossos sonhos são os mesmos há muito tempo Mas não há mais muito tempo pra sonhar Pensei que houvesse um muro entre o lado claro e o lado escuro Pensei que houvesse diferença entre gritos e sussurros Mas foi engano, foi tudo em vão Já não há mais diferença entre a raiva e a razão Esquerda e direita, direitos e deveres, os 3 patetas, os 3 poderes Ascenção e queda, são os dois lados da mesma moeda Tudo é igual quando se pensa em como tudo poderia ser Há tão pouca diferença,tanta coisa a fazer Tanta coisa a fazer E os nossos sonhos são os mesmos,a tanto tempo mas não há mas tanto tempo pra sonhar.. Nossos sonhos são os mesmos,a tanto tempo mas não há mas tanto tempo pra sonhar.. Tempo pra sonhar Nossos sonhos são os mesmos,amuito tempo mas não há mas tanto tempo pra sonhar.. Nossos sonhos são os mesmos,a muito tempo mas não há mas tanto tempo pra sonhar.. Tempo pra sonhar Tempo pra sonhar Tempo pra sonhar Tempo pra sonhar Vamos possuir retrato no real e o abstrato Entre a loucura e a lucidez Entre o fim do mundo e o fim do mês Entre a verdade e o Rock inglês Essa me lembra o final do livro e dá uma razão à palavra do título "REVOLTA", porém não entendo pq Gessinger usou Dândis, que se não me engano representa "mauricinho", "playboy"."