"Quando Djavan escreveu "Nem um dia" ele estava de fato em um lugar que costumava ir para descansar e ler, na época do frio, um orquidário.
Nesse ambiente, amante de poesia, sua leitura o impeliu a pensar no ser amado com melancolia e saudade, ao que diz; " um dia triste, toda fragilidade incide, e o pensamento lá em você e tudo me divide". Tudo o divide porque ele vive a dualidade do amor e da dor, das felicidades do amor presente e a melancolia desse amor que ja nao existe mais.
Uma grande e misteriosa beleza está guardada nos versos em que diz - tudo nascerá mais belo, o verde faz do azul com amarelo o elo com todas as cores pra enfeitar amores griz- Aqui, encantado com as cores vibrantes das folhagens e flores amarelas e azuis, típicas das orquídeas, o eu lírico se consola, pois a partir dessa beleza, o seu sentimento se transforma, pois ela enfeita seu amor griz, sem cor, cinza. Amor que ele deseja como ao ar, que ele recria e repete em sua mente com o pensamento, recriando assim a luz, a luz que tras seu amor de volta, seu único modo de se reconectar ao ser adorado. Nos resta saber se esse amor maior que tudo seria um amor nunca resolvido, deixado no passado, ou um amor de alguém que não mais vive e que só deixa saudades e memórias. De todo modo Djavan em sua genialidade nos entrega sentimento em forma de som e poesia, e nos faz sentir o gelado do frio, o cheiro do livro e a paixão dentro do peito."