Criolo

Duas de cinco

Álbum: Álbum de Criolo • 2018

A Letra

Compro uma pistola do vapor
Visto o jaco califórnia azul
Faço uma mandinga pro terror
E vou

É o cão, é o cânhamo, é o desamor
É o canhão na boca de quem tanto se humilhou
Inveja é uma desgraça, alastra ódio e rancor
E cocaína é uma igreja gringa de Le Chereau
Pra cada rap escrito
Uma alma que se salva
O rosto do carvoeiro
É o Brasil que mostra a cara
Muito blá se fala
E a língua é uma piranha
Aqui é só trabalho, sorte é pras crianças
Que vê o professor em desespero na miséria
Que no meio do caminho da educação havia uma pedra
E havia um pedra no meio do caminho
Ele não é preto véi
Mas no bolso leva um cachimbo
É o Sleazestack
Zóio branco, repare o brilho
Chewbacca na penha
Maizena com pó de vidro
Comerciais de TV
Glamour pra alcoolismo
E é o kinect do XBOX
Por duas buchas de cinco

Chega a rir de nervoso
Comédia, vai chorar

Compro uma pistola do vapor
Visto o jaco Califórnia azul
Faço uma mandinga pro terror
E vou

E eu fico aqui pregando a paz
E a cada maço de cigarro fumado
A morte faz um jaz entre nós
Cá pra nós, e se um de nós morrer
Pra vocês é uma beleza
Desigualdade faz tristeza
Na montanha dos sete abutres
Alguém enfeita sua mesa
Um governo que quer acabar com o crack
Mas não tem moral pra vetar
Comercial de cerveja
Alô, Focault
Cê quer saber o que é loucura
É ver Hobsbawm
Na mão dos boy
Maquiavel nessa leitura
Falar pra um favelado
Que a vida não é dura
E achar que teu 12 de condomínio
Não carrega a mesma culpa
É salto alto, MD
Absolut, suco de fruta
Mas nem todo mundo é feliz
Nessa fé absoluta
Calma, filha, que esse doce
Não é sal de fruta
Azedar é a meta
Tá bom ou quer mais açúcar?

Chega a rir de nervoso
Comédia vai chorar

Compro uma pistola do vapor
Visto o jaco califórnia azul
Faço uma mandinga pro terror
E vou

Compro uma pistola do vapor
Visto o jaco califórnia azul
Faço uma mandinga pro terror
E vou

Análises

Sua visão

D

Diogo

26 Abr, 2026

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"A letra de Criolo apresenta uma forte crítica social ao retratar a realidade de desigualdade, violência e abandono vivida por grande parte da população brasileira. Por meio de imagens impactantes e linguagem urbana, o artista mostra como muitos jovens acabam sendo atraídos para o crime e para o tráfico como consequência da falta de oportunidades, da miséria e da exclusão social. A compra de uma arma e a preparação para “o terror” simbolizam a entrada em um ciclo de violência que, muitas vezes, nasce do desespero e da humilhação. Ao longo da música, Criolo também denuncia a hipocrisia da sociedade, que condena determinadas drogas enquanto glamouriza outras, como o álcool, constantemente incentivado pela publicidade. Além disso, critica um governo que diz combater problemas sociais, mas não enfrenta suas verdadeiras causas, como a pobreza, a precariedade da educação e a falta de perspectivas para a juventude. Outro ponto importante da letra é a valorização do rap como instrumento de transformação. Quando afirma que “pra cada rap escrito, uma alma que se salva”, o artista sugere que a música pode conscientizar, dar voz aos marginalizados e oferecer caminhos diferentes da criminalidade. A educação também aparece como tema central, ao mostrar o professor em situação de miséria e a existência de obstáculos no caminho do ensino. Criolo ainda critica as classes mais privilegiadas, que muitas vezes estudam filosofia e política, mas ignoram a dura realidade das periferias. Assim, a música revela que a violência não é um problema isolado, mas consequência de um sistema injusto que beneficia alguns e abandona muitos outros. Dessa forma, a letra funciona como um retrato intenso do Brasil contemporâneo, denunciando contradições sociais e convidando o ouvinte a refletir sobre as desigualdades e responsabilidades coletivas presentes no país."