Baile moderno

Pra cantar esta moda eu peço permissão
Pras mocinhas que dançam nas bonita reunião
Eu também não sou santo pra querer dar lição
No sistema moderno desta diversão

Pois eu não tenho nada a perder
Mas porém posso dar opinião
Se eu bato nessa tecla é com muita razão
Por ver a vergonha de certas função
Os moço ali vai não perde a ocasião
Vê pai de família com a cara no chão ai
Com o modo das filhas dentro do salão

Elas chegam no baile, já vem um bonitão
Com cabelo de poeta e a moda jaquetão
Essas boca de sino mostrando o garrão
É um terno de luxo feito a prestação

O tal fala bonito de fato
Com o seu sotaque de Dom João
Dizendo que é o tal na repartição
Ainda tem cara de ser valentão
E as moça acredita nessas tapiação
Mal sabe as coitadas que o tal malandrão ai
Não traz na gibeira um triste tostão

Quando o baile se acaba já é madrugadão
No caminho de casa não tem luz, nem lampião
Se os dois abusaram um pouco do quentão
O que vai acontecer comentar nem é bão

As mocinhas sendo elogiada
Ficam mole que nem requeijão
Se elas vai no bico do espertalhão
O caboclo empaca no pé do mourão
O preto no branco ele não passa não
O tal pica o burro e já dobra o espigão ai
Deixando a mocinha em má situação

As mocinha ajuizada não vai nesta ilusão
Elas só vão no baile com o pai e os irmão
Se o rapaz quer dançar e tem boa intenção
Ele fala pro véio com educação

Me permite eu tirar vossa filha
E o véio dá autorização
Os dois dança de longe sem exibição
Isto é um prazer pra um cidadão
Não toma uma tábua nestas condição
A fruta madura tem mais cotação ai
Quando ela tá longe do alcance da mão

Preto de alma branca

Fazenda da Liberdade
Quando o coronér vivia
Seus colono e empregado
Gozavam de regalia
Mas tudo que é bão se acaba
Cada coisa tem seu dia
Foi numa tarde de maio
O coronér falecia
Um preto véio choro
Na hora que o caixão saía
Era o peão mais antigo
Que na fazenda existia

Com a morte do coronér
Ai seu filho ficou patrão
Mas não herdou do seu pai
Aquele bão coração
Mandô chamá o preto velho
E falô sem compaixão
Vou mandar você embora
Não tenho mais precisão
Preciso aqui gente nova
Pra tratar das criação
Foi mais gorpe doído
Na vida desse cristão, ai

No palanque da mangueira
O preto véio encostô
Ali de cabeça baixa
Seu passado arrelembrô
De quantos boi cuiabano
Nos seus braço já berrô
Quantos potro redomão
Sua chilena quebrô
Um estralo na portão
De repente ele escuitô
Um pantaneiro furioso
Na mangueira penetrô, ai

A filha do fazendeiro
Sua prendinha querida
Aquele anjo inocente
Brincava muito entretida
O preto saiu correndo
Com suas perna enfraquecida
Parô na frente do boi
Quando ele deu a investida
No chifre do pantaneiro
Suas força foi vencida
Pra sarvar a sinhazinha
Ele arriscô sua própria vida

O fazendeiro correndo
Cinco tiro disparô
Derrubou o pantaneiro
Mas nada disso adiantô
Abraçando o preto véio
O coitado ainda falô
Mande benzê a sinhazinha
Do susto que ela levô
Eu preciso ir-me embora
Minha hora já chegô
E o preto de arma branca
Deste mundo descansô, ai

João de Barro

O João-de-barro pra ser feliz como eu
Certo dia resorveu arranjá uma companheira
Num vai e vem com o barro da biquinha
Ele fez sua casinha lá num gaio da paineira

Todas as manhã o pedreiro da floresta
Cantava fazendo festa pra aquela que tanto amava
Mas quando ele ia buscar um raminho
Para construir seu ninho o seu amor lhe enganava

Mas neste mundo o mar feito é descoberto
João-de-barro viu de perto sua esperança perdida
Cego de dor trancou a porta da morada
Deixando lá a sua amada presa pro resto da vida

Que semelhança entre o nosso fadário
Só que eu fiz o contrário do que o João-de-barro fez
Nosso Senhor me deu calma nessa hora
A ingrata pus pra fora, aonde anda eu não sei