Lulu Santos

A Cura


Existirá
Em todo porto tremulará
A velha bandeira da vida
Acenderá
Todo farol iluminará
Uma ponta de esperança

E se virá
Será quando menos se esperar
Da onde ninguém imagina
Demolirá
Toda certeza vã
Não sobrará
Pedra sobre pedra

Enquanto isso
Não nos custa insistir
Na questão do desejo
Não deixar se extinguir
Desafiando de vez a noção
Na qual se crê
Que o inferno é aqui

Existirá
E toda raça então experimentará
Para todo mal
A cura

Existirá
Em todo porto se estiará
A velha bandeira da vida
Acenderá
Todo farol iluminará
Uma ponta de esperança

E se virá
Será quando menos se esperar
Da onde ninguém imagina
Demolirá
Toda certeza vã
Não sobrará
Pedra sobre pedra

Enquanto isso
Não nos custa insistir
Na questão do desejo
Não deixar se extinguir
Desafiando de vez a noção
Na qual se crê
Que o inferno é aqui

Existirá
E toda raça então experimentará
Para todo mal
A cura

0 comentário sobre “A Cura

  • Rogerio disse:

    Ele fala sobre a unica cura par todos os males da humanidade, “a velha bandeira da vida” (Jesus Cristo). O farol que ilumina e indica o caminho (…Eu sou o caminho, e a verdade e a vida… João 14:6) ” A cura” virá quando menos se esperar e de onde não sabemos, (Mas daquele dia ou daquela hora ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, senão só o Pai. Marcos 13:32). Demolirá todo o mau(Vês estes grandes edifícios? não ficará pedra, que não seja derribada. Marcos 13:2) o final da musica fala por si só.

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    • Fernando disse:

      A letra fala sobre o momento da descoberta do vírus HIV. Por isso diz que vamos desafiar a noção, mas continuar insistindo no desejo, apesar de aqui ser o inferno, até que a cura venha para todos.

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  • Prof. Ms. Adílio Soares disse:

    Trecho extraído da descrição do vídeo “3 tipos de amor #III : Eros” do Canal Tirolês e Tio Adílio, no YouTube:
    Eros na História da Filosofia, porém, diferentemente de outras afirmações muito encontradas por aí, não se resume no desejo físico, na posse do corpo do outro meramente para fins utilitários, pois como dirá Nietzsche: o apaixonado deseja o desejo do outro, quer capturar sua mente. O apaixonado quer que o outro o queira. Dessa forma, para Nietzsche, não seria possível sentir Eros pelas coisas inanimadas ou pelo reino vegetal, por uma uma bela joia, uma manga ou um chocolate, por exemplo, pois embora você queira o chocolate, sabe que ele não possui consciência e, por isso, não deseja que ele te deseje.
    “[…] Eros seria, assim, uma impetuosa força curativa, motivadora, estimulante, por vezes inesperada, a qual poderia soerguer um indivíduo entristecido ao chocar-se contra raciocínios desfavoráveis à vida, discursos contrários à vontade de poder ou potência de vida, lógicas a serviço da morte, nas palavras de Nietzsche; raciocínios que parecem retirar do presente desta vida suas cores, seus sabores, projetando-os numa esperada vida futura. Eros relacionar-se-ia à questão do desejo, a qual não se deve deixar extinguir, sob pena de se passar a crer que esse mundo já é um inferno, como cantou Lulu Santos na canção A Cura” Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=v4FoyiWJT1E&t=33s

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    • Adílio Ferreira Soares disse:

      Gostaria de acrescentar que a interpretação acima não é a (única) intepretação, mas uma interpretação (possível). Creio que a boa parte da arte, principalmente (mas não apenas) da contemporânea, diferente da ciência e da própria Filosofia, não almeja restringir a apenas uma suas múltiplas possibilidades interpretativas coerentes. Enquanto, ao escrever um argumento filosófico, ou publicar resultados de experimentos científicos e cálculos exatos, o acadêmico não almeja ser interpretado me maneira ambígua, ao publicar uma obra, o artista, por sua vez, geralmente não se importa caso essa obra receba múltiplas interptações, desde que coerentes, desde que belas. Dito de outro modo: enquanto as obras dos filosófos e cientistas empíricos visam a monossemia (um sentido), a boa arte é, por natureza, livre, polissêmica (de múltiplas interpretações possíveis e coerentes). Prof. Ms. Adílio Soares. (08-06-2020).

      • Adílio Ferreira Soares disse:

        Gostaria de acrescer, também, que minha interpretação se refere aos últimos versos, e não contradiz, mas complementa do Rogério, acima. “Enquanto isso”, diz a música, ou seja, enquanto não se dá a segunda vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo (ou nossa ida até Ele através da morte?), tal qual afirmaram os anjos após a ascensão de Jesus (cf. Atos 1, 11), “só nos resta insistir, na questão do desejo”, na questão da vida, da alegria, do entusiasmo das crianças ante coisas simples, insistir na questão da alegria, da vontade de viver, de eros, na questão de “não deixar se extinguir” o amor, “desafiando de vez a noção”, pregada por muitos recalcados, reprimidos, diria Freud, mórbidos, diria Nietzsche, de “que o inferno é aqui”. Ou seja, a noção de que essa vida é apenas uma vida de expiação, de sacrifício, de dor, para se merecer a outra vida, no “céu”. Invés “da noção na qual se crê que o inferno é aqui”, talvez o autor prefira a de se “construir o paraíso agora, para merecer o que vem depois”, como canta Beto Guedes, na canção “Sal da Terra”. Talvez o autor interprete João 10,10, “Eu vim para que todos tenham vida, e vida em abundância”, não apenas em relação à vida após a morte, mas também em relação a ter vida nesta vida, pois uma coisa é estar vivo, outra coisa é ter a vida em você. Ainda que, segundo Santo Agostinho/Agostinho de Hipona, só poderemos ter 100% de felicidade, de plenitude, no “céu”, penso que o autor, então, almeja os 99%. Curiosidade: a etimologia da palavra “entusiasmo” sugere algo como repleto, transbordante (sufixo “ismo”) de Deus (tus=teos, do grego) dentro (en=para dentro ou de dentro, do latim). Prof. Ms. Adílio Soares.

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