Pedras que cantam

Fagner

Compositor(a) da letra: Dominguinhos e Fausto Nilo

Álbum da letra: Pedras que cantam

Ano de lançamento: 1991

1 comentários

Quem é rico mora na praia
mas quem trabalha nem tem onde morar
Quem não chora dorme com fome
mas quem tem nome joga prata no ar

Ô tempo duro no ambiente,
ô tempo escuro na memória,
o tempo é quente
E o dragão é voraz….

Vamos embora de repente,
vamos embora sem demora,
vamos pra frente
que pra trás não dá mais

Pra ser feliz num lugar
pra sorrir e cantar
tanta coisa a gente inventa,

mas no dia que a poesia se arrebenta
É que as pedras vão cantar




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Um comentário para a letra “Pedras que cantam

  1. Gustavo Marques disse:

    Resposta: Pedras que Cantam

    Explicação: Primeiro, pra analisar uma música (um texto) é importante colocá-lo em seu contexto histórico. “Pedras que Cantam” foi lançada em 1991, ou seja, 7 anos após o término da ditadura militar (e apenas 3 anos após a criação da constituição atual), num período onde as desigualdades sociais eram muito altas (pouco mudou) e o plano real ainda estava por vir. Ok, esse é o contexto e, com isto em mente, podemos analisar a letra da música

    -Quem é rico mora na praia mas quem trabalha nem tem onde morar-
    Insatisfação da classe trabalhadora, sendo totalmente marginalizada enquanto que quem é rico vive de luxos

    -Quem não chora dorme com fome mas quem tem nome joga prata no ar-
    Quem não “chora”: muito provavelmente chorar aqui quer dizer sofrer muito por trabalhar demais. Quem não se mata de trabalhar morre de fome. Porém quem é rico tem tanto dinheiro que não se preocupar em perdê-lo. Isso é importante aqui: você andaria pela rua jogando seu celular pro alto? Jogando uma bolsa com 1000 reais pro alto? Se você respondeu “sim”, é porque essas coisas não tem valor suficiente pra você e, se você perdê-las, não fará tanta falta assim.

    -Ô tempo duro no ambiente, ô tempo escuro na memória, o tempo é quente e o dragão é voraz…-
    O tempo é duro, é difícil, isso faz alusão à péssima economia do país. O tempo escuro na MEMÓRIA provavelmente se refere à ditadura, que causou o tempo duro que se passa. O tempo é quente e o dragão é voraz provavelmente se trata das ameaças do momento em termos de medo de uma nova ditadura ou sobre a economia mesmo.

    -Vamos embora de repente, vamos embora sem demora, Vamos pra frente que pra trás não dá mais.-
    Isso provavelmente é um pedido de mudança, mas de olho no passado pra que não se cometam os mesmos erros.

    -Pra ser feliz num lugar pra sorrir e cantar tanta coisa a gente inventa, mas no dia que a poesia se arrebenta-
    Na minha opinião esse é o tema central da música, olhando com calma chega a ser um pedido de levante popular. Pensa só, ele tá falando que pra que possamos ser feliz [neste tempo] é necessário que a gente crie métodos, invente coisas. Mas que coisas são essas? Música, teatro, histórias e, acredite se quiser, poesia! Ora, quando a poesia se arrebentar, quando o que criamos pra nos distrair e fazer com que aguentemos a realidade se acabar, é aí que as pedras vão cantar. Pedra cantar? Essa é uma prosopopeia que diz respeito a pedras cantando? Bom, cantar pode ser chamado de “fazer um barulho” e a pedra faz um barulho se você jogar ela em algum lugar (ou em uma pessoa, um governo kk), passando a ideia de que quando aquilo que a gente inventa pra ser feliz já não é suficiente, é aí que a revolta vai acontecer. Isso pode passar duas ideias: 1) o povo tem que acordar e se levantar contra esse tempo, fazer algo pra mudar (é o que eu acredito que seja mais plausível) ou 2) Uma ameaça ao governo e à censura: se tirarem de nós a nossa música, o nosso samba, a nossa poesia, a gente vai se revoltar.

    Tudo isso é o que EU consigo ver na letra, não significa que o autor quis dar esse significado. Essa é uma interpretação pessoal minha e creio que se você está lendo isso, você deveria também tentar tirar sua própria interpretação, é importante que tenhamos pensamento crítico e conhecimento histórico, para que, como diz o compositor, possamos ir para frente pois pra trás não dá mais.