Djavan

Faltando um pedaço

O amor é um grande laço
Um passo pr’uma armadilha
Um lobo correndo em círculo
Pra alimentar a matilha
Comparo sua chegada
Como a fuga de uma ilha
Tanto engorda quanto mata
Feito desgosto de filha,
De filha

O amor é como um raio
Galopando em desafio
Abre fendas, cobre vales
Revolta as águas dos rios
Quem tentar seguir seu rastro
Se perderá no caminho
Na pureza de um limão
Ou na solidão do espinho

O amor e a agonia
Cerraram fogo no espaço
Brigando horas a fio
O cio vence o cansaço
E o coração de quem ama
Fica faltando um pedaço
Que nem a lua minguando
Que nem o meu nos seus braços

0 comentário sobre “Faltando um pedaço

  • Patrícia Aguilera disse:

    Acredito que a parte que mais passa desapercebida é quando ele diz: um lobo correndo em círculo, pra alimentar a matilha”. Nesse caso, ele não se refere que o lobo é quem busca o alimento para os lobos, mas o próprio lobo é quem está cercado pela matilha de cães. Fazem confusão por nada…
    E os demais versos é só uma questão de interpretação de metáforas e outras figuras de linguaguem, de sintaxe, etc e tal.

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  • Jane Costa disse:

    Eu acho que esta música trata das dualidades de sentimento que acompanham o amor/paixão. É como sentir-se aprisionado, é tenso, do jeito que ficam os caçadores que depende do sucesso de suas técnicas de caça para ser bem sucedido e alimentar a família e feliz, como um náufrago, que deixa a solidão de uma ilha remota e volta para o convívio social. Para ele, um sentimento controverso pela felicidade de ser avó, sendo sua filha solteira.
    Na segunda estrofe ele trata o amor como se fosse uma grande força incontrolável da natureza, que traz acidez, dor e se tentar entender, vai se sentir perdido.
    A última, estrofe trata da relação conflituosa onde ainda existe paixão e desejo, embora ainda estejam juntos vivendo essa relação, o coração do apaixonado fica incompleto, pois o amor é idealizado na perfeição.

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  • Mário Meyrelles disse:

    Humildemente,

    Na primeira estrofe ele trata o Amor como algo terrestre, quase irreversível, uma armadilha onde você pode ser pego apenas por se locomover, apenas por sair da sua ilha, do seu isolamento. E agora, não mais isolado, você está preso nessa armadilha. Com usa família para manter, com suas obrigações…. e eventualmente com o sofrimento de aguardar uma criança nascer, passar pelo parto. E claro, novas obrigações chegando. Um amor que talvez possa ter virado um certo desgosto.

    Na segunda estrofe o Amor agora fica menos terrestre. É mais sofre ação, força, movimento e causador de ações. A irreversibilidade e a passividade agora muda para a ação objetiva. Essa força descomunal leva o buscador a movimentar o universo com usa força. E nesse momento, não faz sentido tentar laçar um buscador ou tentar alcançá-lo. Ele é está em um movimento impossível de parar. Só caberá tristeza a quem busca este buscador imparável. Se ele estava cativo, não está mais. Agora tudo é movimento. Tudo é ação.

    Na terceira estrofe, o Amor fica em espaço superior ao mundo . Sua busca agora sai desse mundo e chega a um novo espaço aberto, onde a busca encontra um resultado. E que resultado é esse? É um encontro fantástico entre Amor e os desejos carnais. É a explosão da ação sem limites terrestres. Espíritos extasiados. E ao encontrar esse Amor-ideal, o buscador se vê incompleto. Não sei se estamos falando de uma incompletude porque a busca completa acaba e a necessidade de buscar algo é inerente ao ser humano, ou então, se estamos falando de uma incompletude porque no fim, o amor só é pleno quando existe em mais de um coração. Eu acho que seria a primeira opção, porque comparação com a lua minguante dá a impressão de que o buscador, ao encontrar o que tanto quis, acaba minguando a sua própria essência ao novamente, cair nesta armadilha.

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