Clementina de Jesus, João da Gente

Barracão é seu

Barracão é seu vou desocupar

Coração é meu vou desabafar

Me dá meu violão que eu vou-me embora

Quero mostrar à senhora que eu tenho aonde morar

Me dá meu violão que eu vou-me embora

Quero mostrar à senhora que eu tenho aonde morar

Barracão é seu

Eu vou desocupar

Quero mostrar à senhora que eu tenho onde morar

Se o barracão é seu

Pode ir fingida mulher

Tens um coração de anjo e as feições de Lucifer

Barracão

Barracão é seu vou desocupar

Coração é meu vou desabafar

Me dá meu violão que eu vou-me embora

Quero mostrar à senhora que eu tenho aonde morar

Me dá meu violão que eu vou-me embora

Quero mostrar à senhora que eu tenho aonde morar

Uma dúzia de mulheres

Eu queria governar

Seu jogar de três Marias prejudique desde Omar

Eu queria ser balaio

Da colheita do café para andar dependurado

Na cintura da mulher

Barracão

Barracão é seu vou desocupar

Coração é meu vou desabafar

Me dá meu violão que eu vou-me embora

Quero mostrar à senhora que eu tenho aonde morar

Me dá meu violão que eu vou-me embora

Quero mostrar à senhora que eu tenho aonde morar

Lá vem a morte pescando

De caniço e samburá

Quando a morte pesca peixe que fome não há por lá

Ao cantar este samba me lembro do maestre fom-fom

Gravando na Companhia Odeon

Barracão

Barracão é seu vou desocupar

Coração é meu vou desabafar

Me dá meu violão que eu vou-me embora

Quero mostrar à senhora que eu tenho aonde morar

Me dá meu violão que eu vou-me embora

Quero mostrar à senhora que eu tenho aonde morar

Não quero mais teu amor

Nem tampouco teus carinhos

Prefiro viver nas matas como vive os passarinhos

Vai-te embora enganadeiras não me venha se enganar

Não me venha dar o papo que me deu a Guiomar

Barracão

Barracão é seu vou desocupar

Coração é meu vou desabafar

Me dá meu violão que eu vou-me embora

Quero mostrar à senhora que eu tenho aonde morar

Me dá meu violão que eu vou-me embora

Quero mostrar à senhora que eu tenho aonde morar(…) do céu que brilho

No azul do firmamento

O nome daquele ingrato não me sai do pensamento

Da Bahia me mandaram

Um presente num balaio

Era um corpo de gente

Cabeça de papagaio

Barracão é seu vou desocupar

Coração é meu vou desabafar

Me dá meu violão que eu vou-me embora

Quero mostrar à senhora que eu tenho aonde morar

Me dá meu violão que eu vou-me embora

Quero mostrar à senhora que eu tenho aonde morar

Eu queria ser balaio

Balaio eu queria ser

Para andar dependurado nas cadeiras de você

Eu sou o João da Gente

Não nego meu natural

Eu defendo a Portela

No dia de carnaval

Barracão

Barracão é seu vou desocupar

Coração é meu vou desabafar

Me dá meu violão que eu vou-me embora

Quero mostrar à senhora que eu tenho aonde morar

Me dá meu violão que eu vou-me embora

Quero mostrar à senhora que eu tenho aonde morar

Sou a mana Clementina

Conhecida devagar

Oi lá em Mangueira todo mundo quer saudar-me

Quem não pode não intima

Deixa quem pode intimar quem não pode na carreira

Vai andando devagar

Barracão

Barracão é seu vou desocupar

Coração é meu vou desabafar

Me dá meu violão que eu vou-me embora

Quero mostrar à senhora que eu tenho aonde morar

Me dá meu violão que eu vou-me embora

Quero mostrar à senhora que eu tenho aonde morar

Minha mãe me botou fora

Foi no tempo da miséria

Tinha eu quatorze anos veja que tamanho eu era

De Mangueira vem Cartola

Do Estácio Ismael

Da Portela vinha o Paulo

Que era o nosso Deus no chão

Barracão

Barracão é seu vou desocupar

Coração é meu vou desabafar

Me dá meu violão que eu vou-me embora

Quero mostrar à senhora que eu tenho aonde morar

Me dá meu violão que eu vou-me embora

Quero mostrar à senhora que eu tenho aonde morar

Me dá meu violão que eu vou-me embora

Quero mostrar à senhora que eu tenho aonde morar

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