Chico César, Luis Carlini

A amor é um ator revolucionário

O amor é um ato revolucionário
Quem vive amando dando amor e sendo amado
Colhendo o que lhe é oferecido
E a si mesmo se coloca ofertado
Se este está nu veste-o manto sagrado
Que ao que ama o infinito faz vestido
De Deus e os deuses sim é o mais querido
Mesmo no escuro seu sentir é iluminado

O amor é um ato revolucionário
Por estados e religiões temido
Quem pelo amor é pertencido
A si governa e só a ele é confessado
Quem ama ao andar cria sua estrada
Em seu voo vê as planícies prazerosas
E no cume das montanhas alterosas
Toca em gozo a rosa viva imaculada

Não será jamais pelo mal tocado
Seu eu profundo não é nunca profanado
Só mesmo o tolo nega do amor o apostolado
E a seus apóstolos diz que vivem em pecado

O amor é um ato revolucionário
À besta humana torna em anjo apascentado
Em amoroso afia o espírito mais irado
O corpo e a alma um no outro todo e tudo
Quem ama fala ao mundo mesmo mudo
Seu pulso é a pulsação do universo em dança
Nas inquietações da guerra insana a paz alcança
Quem traz a lança do amor e seu escudo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode usar estas HTML tags e atributos:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>