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Chico Buarque

Futuros Amantes

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

25 respostas em “Futuros Amantes”

Parece-me que a letra representa a ironia de um amor não correspondido. O autor ironiza a própria situação de desencanto dizendo à sua paixão: “não se afobe não que nada é pra já”, em uma busca, quem sabe, de acalmar a si próprio, pois todos sabem que quando se ama a melhor coisa é estar com o amor o maior tempo possível.
É isso, espero ter contribuído!

Incrível interpretação! Sinto essa mesma ironia, inclusive, no ritmo escolhido da melodia…
Mais incrível ainda foi perceber que estou respondendo esta mensagem exatamente no mesmo dia dessa análise, 13/03, porém 11 anos depois. Espero que esteja tudo bem. 🙂

Algo realmente lindo, acontece nessa canção,e contece de forma nada sutil, Chico se refere ao
amor com um objeto, uma reliquia duradoura, guardada
a esmo, tranpõe eras, até que uma civilização outra
a o encontra, como objeto, algo palpável e em vão
tenta decifrá-lo, pois foi dado, presenteado, e generosamente, abnegadamente, ” deixei pra você!”
`interessante, e triste, que nas entrelinhas nota-se uma desilusão com o destino do amor, as futuras civilizações não tem a mínima idéia do que isso seja.
Uma visão trágica das relações humanas.

Além de tudo isso que você pontuou,a canção fala de um comportamento que o ser humano tem de guardar aquele amor inesquecível dentro de si(ele pode esperar em silêncio,num fundo de armário…), e quando se relaciona com outra pessoa esta instintivamente fica intrigada por não notar esse amor no outro (sábios em vão tentarão decifrar o eco de antigas palavras, fragmentos de carta… vestigio de estranhas civilizações) Essa música é praticamente espiritual, a das mais brilhantes que já fora composta!

Acredito q ele passa a idéia do amor numa visão arquétipa,infinita. Aquele que resiste a tudo, q vai transpor gerações e que muitas dessas farão uso dele e assim será sempre, pois ele, o amor, é infinito, quando afirma q outros amarão sem saber com o amor que um dia deixei p você. Diferenciando dos outros sentimentos qdo. faz essas colocações.

é uma das letras que retrata o amor mais linda que existe. Ele fala do amor de uma maneira eterna, que segue vivo passando por várias gerações, tempos … e que na verdade aquela essência pode ser utilizada por outras pessoas que estarão amando com um amor que não sabe de onde surgiu mas que existe há anos e anos.

As vezes esta música me remete ao fato de uma jovem estar esperando o amor que o eu lírico menciona… Apesar da demora ele vai acontecer … pois o amor não muda, de geração em geração … é só preciso ter calma.

Essa música fala sobre o amor que não foi utilizado porque nao foi correspondido, ele fica impar!!!
Mas que esse amor poder ser usado por outra pessoa, porque ele é um amor conservativo…
=D

Meu entendimento é não podemos esperar pelo amor como se fosse um objetivo e vida, mas q ele chegará no tempo certo e quando a pessoa menos imagina ele chega. Adoro essa musica, principalmente, pq ela demonstra a realidade de muitas mulheres que ficam afobadas pq ainda não encontrou seu amor, onde todos tentam achar uma justificativa para q o amor não surgiu na vida de alguém, mas não se justifica o injustificavel.

Acredito que o autor tenta revelar o quanto o amor é infinito e transponível. Infinito porque tem o poder de ficar guardado em nós, em lugares, durante muitos anos até ser novamente despertado em nós, inclusive por outra pessoa diferente da que o gerou inicialmente, isso é revelado no seguinte trecho “Amores serão sempre amáveis”. Transponível porque esse mesmo amor pode ser utilizado por outros casais, sentido esse expresso em “futuros amantes quiçá se amarão sem saber,com o amor que um dia deixei pra você”

O mestre Chico deixa claro que o amor não tem pressa, é eterno.
O amor é visto como uma matéria, algo valioso
como relíquia e inatingível até mesmo pelo tempo, e que pode ser transposto a outros indivíduos. “Futuros amantes, quiçá se amarão sem saber com o amor que eu um dia deixei pra você”.
E o amor é colocado além da vida e da morte e além da humanidade. Essa resistência é colocada à prova, ao mesmo tempo que ele indica o lugar onde o amor acontece (Rio de Janeiro). “E quem sabe, então o Rio será alguma cidade submersa, os escafandristas virão explorar sua casa…”
A eterna contestação do amor aparece rendida, Como algo inexplicável em: Sábio em vão tentarão decifrar o eco de antigas palavras…”
Enfim, Chico fala do amor mais estabelecido na existência que se pode imaginar.

No amor nâo há pressa, esta é do anseio, ele é do presente por isso é passado e futuro de todos os homens e de todas as mulheres

No amor nâo há pressa, esta é do anseio, ele é do presente por isso é passado e futuro de todos os homens e de todas as mulheres
Não disse e disse é o amor

“A função do amor, é amar, não importa onde ele esteja, ele será amor em qualquer lugar. A musica relata a historia de dois amantes, dois namorados, que por algum motivo terminaram o relacionamento, mas o amor, continuou. Chico trata de dar características humanas a esse sentimento, dizendo que o amor não tem necessidades imediatas, não tem pressa e pode muito bem esperar. Ele é tão grande, tão verdadeiro, que consegue ficar calado dentro do peito, dentro do armário, esperando em silencio nas cartas que ainda não foram entregues, para cumprir a sua função de amar. E mesmo mudo, ele permanece presente e no ar, mostrando que embora calado, ainda existe. Mesmo que o tempo passe, que a cidade onde esses amantes se conheceram se torne uma cidade submersa, uma cidade perdida, o amor permanecerá lá, firme e intocável e se por acaso alguém que não ama tentar entender este sentimento, tentar transpo-lo em palavras, não irá conseguir. Nem os sábios, vão saber decifrar o eco daquele sentimento, porque é preciso amor para sentir as cartas, os retratos, os poemas. Quando amamos algumas vezes contamos mentiras e Chico trata de dizer, que apenas os apaixonados, os amantes, conseguirão entender tais mentiras, sem paixão, fica impossível. Na ultima estrofe e a minha preferida, fica claro o quanto o amor verdadeiro não muda com o passar dos anos. Ao dizer que “amores serão sempre amáveis” Chico dá um tapa de sentimento e poesia, porque de uma maneira sensacional, ele consegue nos dizer que não importa o que aconteceu, o que separou, o que levou ao fim o relacionamento, aquela pessoa que amamos, sempre nos trará sensações amáveis, mesmo com o fim de um relacionamento, aquele amor verdadeiro, sempre será bonito. Como se já não fosse suficientemente lindo e poético, nosso mestre entra em efervescência e conclui: “Futuros amantes, quiçá se amarão sem saber, com o amor que eu um dia deixei pra você.”, e podemos entender facilmente que Chico expõe a função do amor. Mesmo depois de anos, de milênios, de silêncio, aqueles amantes que terminaram, mas que houve um sentimento verdadeiro podem ficar tranquilos, pois o amor que viveu nos dois, irá encontrar outros amantes para cumpri a sua função de amar. Que todos aqueles que amarem e por acaso sofrerem com desse amor, estão amando com o mesmo amor, que aqueles amantes do passado, deixaram para os que vierem depois, os amantes do futuro.”

“Fragmentos de cartas,poemas mentiras, retratos, vestígios de estranhas civilizações”…A musica além de exaltar o transcendentalismo do amor, inerente em sociedades organizadas desde a antiguidade, faz uma forte referência do homem no tempo.Nós seremos uma estranha civilização, daqui a 1000 anos as pessoas estarão se amando, e documentos como fragmentos de cartas, poemas serão o registro histórico da nossa estranha civilização, de nossos amores, dando continuidade na ação do amor no tempo.

Ele diferencia o amor da paixão no momento em que diz ”não se afobe não que nada é pra já”, se há amor, esse é verdadeiro, incondicional, imutável e até mesmo trascedental, ele não tem pressa, pode esperar anos pra acontecer porque sendo amor não se acaba nem definha!

Acredito que ele fale de um amor não correspondido, cujo consolo é saber que o sentimento amor é imortal e transcende através dos tempos até, quiça, encontrar seu destino: o ser amado.

O autor fala de um amor que de alguma forma ficará por milênios e milenios…e algum dia futuros amantes se amarão com o amor deixado, que permaneceu intato, pela pureza e intensidade.

“Eu tava mexendo no violão, começando a fazer a melodia, e a primeira imagem que apareceu foi exatamente esta: uma cidade submersa, isolada de tudo. Porque, cantarolando, parecia que a música queria dizer isso. Eu tinha que ir atrás da explicação dessa cidade submersa. Aí eu coloquei os escafandristas, e surgiu a história de um amor adiado, um amor que fica para sempre. Essa ideia do amor como algo que pode ser aproveitado mais tarde, que não se desperdiça. Passa-se o tempo, passam-se milênios, e aquele amor ficará até debaixo d’água. Um amor que vai ser usado por outras pessoas, um amor que não foi utilizado porque não foi correspondido, e então ele fica ímpar, pairando… Esperando que alguém o apanhe e complete a sua função de amor”. Chico Buarque

Na verdade, a parte do escafandrista, acredito que refere-se a televisão da época, elas pareciam um escafandro e quando ele fala os “escafandristas virão explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas, sua alma, desvãos” é que de algum modo a televisão irá invadir a sua casa, a sua alma.

Nesta pérola,Chico expõe que há no ser humano um “amor verdadeiro” que fica oculto,guardado,preservado que o mesmo não revela a ninguém.Aquele sentimento que mesmo a pessoa já casada,vivida e comprometida guarda dentro de si (talvez uma paixão da adolescência que ficou) e as pessoas ficam tentando saber do que se trata “Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos”

Um amor não correspondido. Onde o alvo da paixão tenta amenizar e dar uma gota de esperança em um mar onde o amor não é recíproco diretamente, mas que em um futuro alguém o explorará e descobrirá a riqueza guardada. O Chico demonstra de forma delicada e sutil como dar um fora.

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