Alceu Valença

Chá de panela

Álbum: Álbum de Alceu Valença • 2007

Letra

Hermeto foi na cozinha

Pra pegar o instrumental

Do facão à colherinha tudo é coisa musical

Trouxe concha e escumadeira, ralador, colher de pau

Barril, tirrina, e peneira - tudo é coisa musical



Me convidou pra uma pinga

Meu não pesou com dó

Piscou um olho só

Disse que eu tiro da seringa

Que home que não bebe e nega mocotó

Acaba quenga em vez de guinga

Se veste de filó, afrouxa o fiofó

E o ferrão já nem respinga

Encolhe feito um nó e vai ficar menó



Assoprou numa chaleira

Bateu numa bacia

Jesus, Ave Maria, era uma sinfonia!

Secador e geladeira entraram no compasso

Dançou a farinheira, saleiro no pedaço



E tudo era coisa musical

Funil mandando: Ôi!

Fogão gritando: Uau!



Fez um chocalho de arroz e outro de feijão

No talo do mamão

Cortou a fruta que já vi

Tocá mais doce, irmão

Direto ao coração



Assoprou numa chaleira

Bateu numa bacia

Jesus, Ave Maria, era uma sinfonia!

Secador e geladeira entraram no compasso

Dançou a farinheira, saleiro no pedaço



E tudo era coisa musical

Funil mandando: Ôi!

Fogão gritando: Uau!



Nesse chá de panela que eu senti a vocação

Vi que música é tudo que avoa e rasga o chão

Foi Hermeto Paschoal que magistral me deu o dom

De entender que do lixo ao avião em tudo há tom



E que até pinico da bom som

Se a criação é mais

Se o músico for bom



Me convidou pra uma pinga

Meu não pesou com dó

Piscou um olho só

Disse que eu tiro da seringa

Que home que não bebe e nega mocotó

Acaba quenga em vez de guinga

Se veste de filó, afrouxa o fiofó

E o ferrão já nem respinga

Encolhe feito um nó e vai ficar menó



Assoprou numa chaleira

Bateu numa bacia

Jesus, Ave Maria, era uma sinfonia!

Secador e geladeira entraram no compasso

Dançou a farinheira, saleiro no pedaço



E tudo era coisa musical

Funil mandando: Ôi!

Fogão gritando: Uau!



Nesse chá de panela que eu senti a vocação

Vi que música é tudo que avoa e rasga o chão

Foi Hermeto Paschoal que magistral me deu o dom

De entender que do lixo ao avião em tudo há tom



E que até pinico da bom som

Se a criação é mais

Se o músico for bom