Chão de giz

Alceu Valença

Compositor(a) da letra: Zé Ramalho

5 comentários

Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre um chão de giz
Há meros devaneios tolos
A me torturar
Fotografias recortadas
em jornais de folhas, amiúde…
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes
Disparo balas de canhão
É inútil pois existe um grão-vizir
Há tantas violetas velhas
Sem um colibri
Queria usar quem sabe
Uma camisa de força
Ou de vênus
Mas não vou gozar de nós
Apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom
Agora pego um caminhão na lona
Vou a nocaute outra vez
Pra sempre fui acorrentado
No seu calcanhar
Meus vinte anos de ¨boy¨
ThatÂ’s over baby! Freud explica
Não vou me sujar
Fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom.
Quanto ao pano dos confetes
Já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo
É assunto popular.
No mais estou indo embora
No mais estou indo embora
No mais….




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5 comentários para a letra “Chão de giz

  1. BEHH disse:

    essa música não é do Zé Ramalho?

  2. Milena Santiago disse:

    Vai ser comprido viu: vamos lá:

    “Eu desço dessa solidão
    espalho coisas sobre um chão de giz
    há meros devaneios tolos a me torturar
    fotografias recortadas em jornais de folhas,
    amiúde”

    Quando se está sozinho, se imagina coisas que nem sempre são reais, um chão de giz é um lugar onde se pode rabiscar com giz, se está chovendo, voce pode desenhar um sol, criar o que voce quiser, por isso ele diz que são devaneios, que torturam porque podem nunca se tornar realidade, como fotos de coisas que nunca aconteceram. amiúde significa novamente, muitas vezes, como se fosse algo que jamais termina.

    “eu vou te jogar
    num pano de guardar confetes.” pode ser uma alusão a carnaval, a fantasia, que esta pessoa sempre será uma fantasia.

    “disparo balas de canhão, é inútil pois
    existe um grão-vizir” Um grao vizir é aquele que comanda logo abaixo de um sultão. como se as balas de canhoes não teriam efeito algum se tal força vinda da aprovação deste soberano não permitisse esse mal.

    “há tantas violetas velhas
    sem um colibri ” bom, essa eu não sei mesmo… o que violetas tem a ver com colibris?

    “queria usar quem sabe
    uma camisa de força, ou de vênus…. ”
    A camisa de força sao para loucos e a camisa de venus é a camisinha, ou ele está louco ou deveria largar tudo por uma boa noite de sexo, que ia ser melhor.

    “mas não vou gozar de nós” 2 sentidos não? não vou rir dessa nossa situação de sonhadores ou não vou ejacular mesmo porque estou de camisinha!

    “apenas um cigarro
    nem vou lhe beijar
    gastando assim o meu batom” Depois do sexo, o melhor é um cigarro. Pode até ser que ele julgue que sexo, na comparação com sonhos, não merece nem que se tire o batom, seja algo carnal e só carnal.

    “agora pego um caminhão
    na lona vou a nocaute outra vez
    pra sempre fui acorrentado
    no seu calcanhar”
    O caminhão era uma das mais populares maneiras de pegar carona, a lona pode ser uma referencia tanto a lona do caminhão quanto ao ringue, onde ele se sente derrotado, porque este tempo todo esteve acorrentado a um calcanhar, ou seja, preso a uma fraqueza calcanhar=calcanhar de aquiles=fraqueza.

    “meus vinte anos de ¨boy¨
    ¨that’s over baby¨ – freud explica”
    Boy, além de ser um menino, moleque, era playboy, garoto rico que não tem valor pelas coisas, Mas isso é passado, claro que só freud explica que tudo o que somos agora é por causa de nosso passado, talvez o fato dele ser sonhador e ter as visões que tem de sexo e tudo o mais seja relacionado a época em que era um “boy”.

    “quanto ao pano dos confetes
    já passou meu carnaval
    e isso explica porque o sexo
    é assunto popular.”

    Carnaval é úma época festiva, de comemorações e folias, e esse tempo já passou para ele. da mesma maneira que ele banaliza o sexo nas frases acima ele explica mais uma vez que o sexo vira assunto popular para os que ainda vivem na folia, nos que ainda estão vivenciando o carnaval.

    “no mais estou indo embora…”]
    E por fim, ele está deixando tudo isso para trás, os sonhos, o chão de giz, o sexo carnal!

    Essa foi a minha interpretação da musica, claro que voce pode achar que tbm é um monte de bobeira… mas pelo menos eu tentei!!! desculpa que ficou enorme viu! BJAUM

    • Joe disse:

      Não precisa se desculpar. Letras foram feitas para cada um ter a sua interpretação, como dizem os autores, poetas, compositores… todas tem uma verdadeira estória, mas a interpretação é livre.
      Sabendo a estória correta interpreta-se mais aproximadamente ao que o compositor pensou.

      Esta musica é sim de Zé Ramalho e ele a compôs, segundo ele mesmo já disse em varias entrevistas, inspirado em um caso que teve com uma mulher mais velha que ele, da alta sociedade e casada, quando ele aos 20 anos era garoto de programa. Vamos a interpretação agora sabendo da verdadeira história.

      “Eu desço dessa solidão”
      – Ele não está mais na solidão daquela paixão, ele desceu dela, saiu, ele já diz no início o que no fim confirma… acabou, That’s over, estou indo embora.

      “Espalho coisas
      Sobre um chão de giz”
      – exatamente o que vc interpretou. Espalha pensamentos, momentos, lembranças em um lugar que facilmente pode se apagar, não ficará marcado para sempre, mas ficou ao eternizar a estória na letra.

      “Há meros devaneios tolos
      A me torturar”
      – devaneios é o sonhar acordado… fantasiar. Ele está sendo torturado por fantasias tolas.

      “Fotografias recortadas
      Em jornais de folhas
      Amiúde”
      – Ele recortava fotos da mulher, nas colunas sociais do jornal, repetidas vezes (amiúde), sempre que saia uma foto dela nos jornais.

      “Eu vou te jogar
      Num pano de guardar confetes”
      – Ele irá transformar as fotos em confetes, papel picado, guardando-as em um pano de guardar confetes, para jogá-las ao ar. Mais uma vez enfatizando o fim do relacionamento, do caso com a mulher.

      “Disparo balas de canhão
      É inútil, pois existe um grão-vizir”
      – Ele tentava persuadi-la a se separa do marido mas era inútil pois ele era alguém importante na sociedade.

      “Há tantas violetas velhas
      Sem um colibri”
      – A mulher (violeta, flor) é mais velha que ele que na época tinha apenas 20 anos, um colibri que fecunda flores, o que o marido idoso já não fazia.

      “Queria usar, quem sabe
      Uma camisa de força
      Ou de Vênus
      Mas não vou gozar de nós
      Apenas um cigarro
      Nem vou lhe beijar
      Gastando assim o meu batom”
      – Aqui ele volta aos pensamentos da paixão, que o faz querer enlouquecer, o faz pensar em mais uma noite de prazer. Mas decide que não, não terá o cigarro no final do sexo pois não terá mais sexo e nem terá um beijo de despedida pois ela não o merece por não ter largado o marido por ele.

      “Agora pego um caminhão
      Na lona, vou a nocaute outra vez”
      – Ele está saindo da cidade de caro em um caminhão e na viagem ele cai (lona) zonzo nos pensamentos, fantasias, da paixão com a mulher, voltando (outra vez) a relembrar de tudo que viveram e a realidade incondizente com a fantasia.

      “Pra sempre fui acorrentado
      No seu calcanhar
      Meus vinte anos de boy
      That’s over, baby
      Freud explica”
      – Ele explica que tais pensamentos retornam pois sempre estava atrás dela, preso em seus passos, seus caminhos e que tudo aquilo, vivido quando ele tinha 20 anos, paixão, caso, mulher mais velha, casada, desejos, tudo, e que acabou (That’s over) Freud, criador da psicanálise, explica.

      “Não vou me sujar
      Fumando apenas um cigarro
      Nem vou lhe beijar
      Gastando assim o meu batom”
      – Ele repete sua decisão de largar tudo, sem sexo nem beijo de despedida

      “Quanto ao pano dos confetes Já passou meu carnaval
      E isso explica porque o sexo É assunto popular”
      – Afirma que aquela fase carnal passou, que já se desfez das fotografias a tempo, diz estar mais maduro e entender tudo agora, sabe que todos têm uma estória de paixão.

      Bom, essa foi minha interpretação sabendo da estória da letra.

  3. Francisca disse:

    Como não ir embora deixar o grupo político ilhada de tecnologia luminosa retrospectiva renovada.