No dia em que fui mais feliz
Eu vi um avião
Se espelhar no seu olhar
Até sumir
De lá pra cá não sei
Caminho ao longo do canal
Faço longas cartas pra ninguém
E o inverno no Leblon é quase glacial
Há algo que jamais se esclareceu:
Onde foi exatamente que larguei
Naquele dia mesmo
O leão que sempre cavalguei
Lá mesmo esqueci que o destino
Sempre me quis só
Num deserto sem saudade, sem remorso só
Sem amarras, barco embriagado ao mar
Não sei o que em mim
Só quer me lembrar
Que um dia o céu reuniu-se à terra um instante por nós dois
Um pouco antes do ocidente se assombrar
Comentários
Marina
02/02/2024
No dia em que fui mais feliz Eu vi um avião Se espelhar no seu olhar Até sumir - Essa parte é sobre ela sair da cidade dela (Porto Alegre, RS) e ir fazer a carreira dela em outro estado (Rio de Janeiro), ela deixou um relacionamento profundo em Porto Alegre. De lá pra cá não sei Caminho ao longo do canal Faço longas cartas pra ninguém E o inverno no Leblon é quase glacial - Ela se encontra em outro estado, sozinha ,na cidade mais elitista do RJ, no inverno, em frente a praia (MUITO frio), tenta se abrir através da escrita, mas o que ela escreve não vinga, porquê ela não consegue se expressar, ela tenta não ignorar seus sentimentos inconscientemente, por tanto que tenta escrever, mas ela reprime eles como uma forma de não sofrer, age friamente. Há algo que jamais se esclareceu: Onde foi exatamente que larguei Naquele dia mesmo O leão que sempre cavalguei - Quando ela conheceu aquela pessoa que deixou, ela se entregou, tirou seus escudos, e antes ela não se entregava, ela era fria (Adriana é Libriana). Talvez seja uma reflexão "Como me entreguei dessa forma quando a conheci? Eu podia ter evitado esse sofrimento sendo fria, eu era tão corajosa e segura de mim, eu não me abalava dessa forma, não tirava meus escudos antes de conhecê-la." Lá mesmo esqueci que o destino Sempre me quis só Num deserto sem saudade, sem remorso só Sem amarras, barco embriagado ao mar - Quando ela conheceu a pessoa, foi tão deslumbrante, tão magnífico aquele encontro de almas, que ela deixou o pensamento de ser fria de lado, ela não pensou em colocar seus pés no chão. E aí ela fala de coisas dela com ela mesma, o que ela sente do destino e suas crenças sobre relacionamentos amorosos. 'Sem amarras (não se deixar vulnerável)', 'Barco embriagado ao mar (acho que talvez referência a canção Maresia de Marina Lima e Antônio Cícero)'. Não sei o que em mim Só quer me lembrar Que um dia o céu reuniu-se à terra um instante por nós dois Um pouco antes do ocidente se assombrar - Ela sempre lembra daquele dia que conheceu a pessoa que ela deixou em Porto Alegre, aquelas sensações de transcender com outra pessoa, com aquela pessoa, antes de tudo mudar. (Essa parte fica muito no ar, pode ser depressão de uma das partes ou até de ambas, uma tempestade após o dia que o céu e a terra se reuniram para eles, brigas entre eles, ou até mesmo o fato de ela saber que vai pra outro estado e esse processo de término ter sido mais complicado, até porque, pelo visto a pessoa a acompanha até o aeroporto quando ela se muda. Pode ser que o assombrar é eles terminarem por ela ter que se mudar.) Muitas camadas dessa poeta imortal!
Vanny
21/11/2023
Torço para que vc encontre o que tanto almeja. O amor aparece quando a gente menos espera.
Antônio Souza
16/09/2023
Eu concordo com todas as interpretações, pois essa música nos toca, ao mesmo tempo, da mesma forma e de formas distintas. Quanto ao trecho "[...] e o inverno no Leblon é quase glacial", gosto de pensar que ela está destacando uma particularidade (do ponto de vista dela) desse lugar que é o Leblon (que nos faz ir até ele em pensamentos). Trata-se de um lugar que, por causa da visibilidade do Rio na TV e em outras mídias, é repleto de imaginários coletivos/pessoais - quem, que vai ao Rio, não quer conhecer o Leblon, talvez quem sabe, e especialmente, esse da música? Quis destacar essa passagem porque ela me desperta sensações e sentimentos (nesse caso mais pro lado da tristeza, solidão, saudade...), me faz lembrar de pessoas e projetar momentos. Mesmo efeito causado por outras músicas que evocam qualidades dos lugares, como os citados por Caetano Veloso em "Sem cais"; ou pelo grupo Blitz em "Dali de Salvador"; ou por Vinícius e Toquinho em "Tarde em Itapuã"; ou por Kleiton e Kledir em "Deu pra ti"...
Breno
18/02/2023
Sobre o trecho "eu vi uma Avião se espelhar no seu olhar e até sumir": Acredito que este trecho pode se referir a uma percepção que o eu lírico tem, de que seu parceiro almeja ir embora; deixa-lo ou estar longe. O olhar representaria a vontade do outro alguém e o avião o ato de partir ou mudar drasticamente de vida.