Adoniran Barbosa

Defeito 11 – Tangolomango

Rico chega na dança
de braço dado
O diabo enche a pança
de braço dado

O olho grande e a ganância
de braço dado
Ao dólar reverência
todo arriba-saiado
Aos juros, esconjuros
todo calça-arriado

Isso é o tangolomango

O rico hoje, coitado,
É preso, todo cercado
Arrodeado de grades
Porteiroguarda e alarme

Arranje, Senhor, um porto
Que ele não ‘steja acuado
Com um pouco de conforto
Pra ele estar sossegado

Mas a verbá, a verbé,
A verborrologia dessa politimerdia
É o tangolomango
E a cárdio-filosoporria
É o tangolomango

Bis E é nesse tangolomango
Que me voy pal pueblo