A Fé Solúvel

7 comentários

Teatro Mágico

É, me esqueci da luz da cozinha acesa
de fechar a geladeira
De limpar os pés,
Me esqueci Jesus!

De anotar os recados
Todas janelas abertas,
onde eu guardei a fé… em nós

Meu café em pó solúvel
Minha fé deu nó
Minha fé em pó solúvel

É… meu computador
Apagou minha memória
Meus textos da madrugada
Tudo o que eu já salvei

E o tanto que eu vou salvar
Das conversas sem pressa
Das mais bonitas mentiras

Hoje eu não vivo só… em paz
Hoje eu vivo em paz sozinho
Muitos passarão
Outros tantos passarinho

Que o teu afeto me afetou é fato
Agora faça me um favor

Um favor… por favor

A razão é como uma equação
De matemática… tira a prática
De sermos… um pouco mais de nós!

Que o teu afeto me afetou é fato
Agora faça me um favor

Um favor… por favor


7 comments on “A Fé Solúvel

  1. Bárbara disse:

    É como se as coisas não tivessem muito sentido. Já não tem muita fé, se esqueceu até mesmo de Deus. Tudo isso por causa de uma ilusão, se apoixonou e foi ilusão, se decepcionou.
    Eu vejo assim, posso estar errada :*

  2. Camila disse:

    É claro o tom de irônia da música.
    “É, me esqueci da luz da cozinha acesa
    de fechar a geladeira
    De limpar os pés,
    Me esqueci Jesus!”

    O eu lírico (se podemos chamar assim, nessa letra) conta coisas que esqueceu de fazer, do cotidiano. Ações que todos nós costumamos esquecer. O “me esqueci Jesus” vem como irônia. No contexto parece que ele está se culpando pelas coisas que deixou de fazer, mas ao mesmo tempo não quer se sentir culpado, como se ele dissesse: esqueci, mas e daí Jesus, o que você fez a respeito?

    “De anotar os recados
    Todas janelas abertas,
    onde eu guardei a fé… em nós”

    Aqui ele diz mais algumas ações que deixou de fazer, e se questiona sobre a fé “em nós”, alguém que ele ame talvez. Perder a fé quer dizer deixar de acreditar cegamente, foi fé é acreditar naquilo que não tem explicação. Então a partir desse momento ele descobre o que realmente era (essa idéia se confirma em um trecho mais adiante – das mais bonitas mentiras)

    “Meu café em pó solúvel
    Minha fé deu nó
    Minha fé em pó solúvel”
    Ele reforça a idéia de que não tem mais fé no “em nós”

    “É… meu computador
    Apagou minha memória
    Meus textos da madrugada
    Tudo o que eu já salvei

    E o tanto que eu vou salvar
    Das conversas sem pressa
    Das mais bonitas mentiras”

    Ele diz “meu computador” mas eu acredito que seja uma figura de linguagem, querendo dizer “eu apaguei”. Ele mesmo apagou para deixar de sofrer – apagou minha memória- para deixar de lembrar, e para não viver mais com a fé cega, reconhecendo as mentiras- das mais bonitas mentiras.

    “Hoje eu não vivo só… em paz
    Hoje eu vivo em paz sozinho
    Muitos passarão
    Outros tantos passarinho”

    É uma adaptação de um poema do Mario Quintana, e penso que a interpretação seja seguinte:
    Hoje eu não vivo só…Em paz – Nessa frase a paz emprega sentido de algo estabelecido, é como se o espaço em que ele vive (exterior)estivesse em paz e ele sozinho, isolado. Na frase a seguir ele completa a idéia:

    Hoje eu vivo em paz sozinho- Quer dizer que apenas ELE vive em paz, que a paz está no seu interior, ao contrário da frase acima, em que a frase estava no exterior. E o sozinho não emprega sentido de solidão, emprega sentido de exclusividade, que a paz está apenas com ele.

    “Muitos passarão, outros tantos passarinho”
    Quer dizer que a maioria das pessoas irão passar de sua vida (e mais uma prova que ele abandonou a fé, está cético sobre a vida) e outros tantos passarinho, quer dizer que embora haja momentos efêmeros, eles podem ser bonitos e ficar na memória para sempre.

    “Que o teu afeto me afetou é fato
    Agora faça me um favor”

    Parte que não consigo ver uma interpretação, além da óbvia escrita.

    “A razão é como uma equação
    De matemática… tira a prática
    De sermos… um pouco mais de nós!”

    Esse trecho é o paradoxo da letra. Ao mesmo tempo que ele deixa a fé de lado por perceber a mesmice e mentiras da vida, conclui que a razão nos afasta de nós mesmos, que as vezes nos limitamos por achar que não existe mais do que se vê.

    É minha letra preferida. Também vivo esse paradoxo.

  3. romulo disse:

    Nossa Camila mandou Mto bem…..enquanto lia vc tirava pensamentos da minha cabeça, mta coisa q vc disse eu já pensava e outras tantas eu acabei de perceber….

    Parabens!

    Depois me fala mais de musicas q vc analisou pois vc manda bem
    Bjão
    Romulo Castro

  4. Amanda disse:

    Eu acho que essa musica ele deixou a casa com as janelas abertas com as luzes acessas e geladeira aberta, então Jesus veio a terra para lavar os pés dele e aproveitou para beber todo café que havia na casa menos o solúvel, então quando amanheceu ele precisou tomar café solúvel que é uma porcaria e ficou péssimo, e diz que a fé é solúvel por não ser uma fé que satisfaz que e gostosa de ter e apenas uma fé pequena pela falta do café de verdade.

  5. Rodrigue disse:

    Linda música, destaco aqui essa parte…
    A razão é como uma equação
    De matemática… tira a prática
    De sermos… um pouco mais de nós!

    Somos seres humanos e vivemos entre a RAZÃO e a EMOÇÃO, na pratica constante da razão, algo que muitas vezes é um passo a passo, como uma equação, deixamos de ser, sim um pouco de nós e assim no privamos de vivenciar belos momento carregado por uma EMOÇÃO.

  6. Sanmari disse:

    Entendo que seja um relacionamento terminado que deixou a vida dele de cabeça para baixo e por isso esqueci tudo bagunçado, pois o interior está confuso. E as lembranças dele está se esvaindo mais ele ainda a ama, pois “o teu afeto me afetou e fato, agora faça-me o favor” de me deixar seguir… E a fé no relacionamento é solúvel, qualquer coisa pode faze-la de dissolver.

  7. Incrivel a forma que a letra passa a sintonia , muito massa!

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