Medo da Chuva

32 comentários

Raul Seixas

É pena que você pense
Que eu sou seu escravo
Dizendo que eu sou seu marido
E não posso partir

Como as pedras imóveis na praia
Eu fico ao seu lado sem saber
Dos amores que a vida me trouxe
E eu não pude viver

Eu perdi o meu medo
O meu medo, o meu medo da chuva
Pois a chuva voltando
Pra terra traz coisas do ar

Aprendi o segredo, o segredo
O segredo da vida
Vendo as pedras que choram sozinhas
No mesmo lugar

Eu não posso entender
Tanta gente aceitando a mentira
De que os sonhos desfazem aquilo
Que o padre falou

Porque quando eu jurei meu amor
Eu traí a mim mesmo, hoje eu sei
Que ninguém nesse mundo
É feliz tendo amado uma vez…
Uma vez

Eu perdi o meu medo
O meu medo, o meu medo da chuva
Pois a chuva voltando
Pra terra traz coisas do ar

Aprendi o segredo, o segredo
O segredo da vida
Vendo as pedras que
Choram sozinhas no mesmo lugar

Vendo as pedras que
Choram sozinhas no mesmo lugar
Vendo as pedras que
Sonham sozinhas no mesmo lugar


32 comments on “Medo da Chuva

  1. Rafael Andrade disse:

    Linda música. Nela Raul demonstra uma opinião acerca de casamentos mau sucedidos ou até mesmo os que estão bem, mas de uma forma ou de outra, sentem aquele amor repentino por uma outra pessoa. Critica a forma como são classificadas as uniões e o fato de não poder gostar ou amar outra pessoa.

  2. KATIA GOES disse:

    Nesta música Raul fala sobre a hipocrisia em relação a instituição do casamento. Onde nos comprometemos com o conjuge uma fidelidade e eternidade que sabemos não temos poder para afirmar.
    Menciona até que as promessas que declamamos no altar são contra nós mesmos. E que essa instituição nos aprisiona, tortura e mantém estagnados. Acredito que quando ele diz que perdeu o medo da Chuva na verdade diz que perdeu o medo de Deus (da promessa que fez – o sim do casamento) Pois até a chuva é impura quando traz coisas do ar.

  3. Cesar Lima disse:

    Raul Seixas foi um gênio. Nessa música, ele usa perder o medo da chuva como metáfora para dizer que precisamos perder o medo do novo, respirar novos ares “pois a chuva voltando pra terra traz coisas do ar”, ele quer que nós nos libertemos dos velhos conceitos religiosos, sociais, etc. “Vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar” (pessoas que ficam paradas, que não mudam, sempre no mesmo lugar).

  4. Daniel Neves disse:

    Concordo plenamente com o Cesar Lima.

    Só complemento com uma observação na frase “Vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar”:

    No meu ver, as pedras seriam aquelas pessoas estagnadas, prisioneiras ao ‘sonho médio’ de: ter um emprego razoável, casar, constituir familia e mesmo infelizes e com outros propósitos se obrigam a conviver nessas regras com medo do novo (conforme citado), medo de mudar, preocupado com a opinião da sociedade.

  5. magal disse:

    vejo como um cara casado qeu numa metafora em cima do seu casamento medo de transar com a mulher, quer sair e ta prso pelo casamento .ele entende o sentido da vida o ciclo mestrual da mulher, e perde o medo de transar com a mulher mesnstruada, ja que gosta dela

  6. Ercole disse:

    Devemos contextualizar para poder interpretar este texto. Era mais uma maneira dele ir contra a ditadura. A primeira estrofe é clara ao manifestar que ele (o cidadão brasileiro)é livre pra poder pensar e falar. Na segunda ele diz que aceita a situação de dominado mas sabe que existe muitas coisas a mais que ele ainda não pode viver. Aí ele mostra que não tem medo… E não teve mesmo, até foi expulso do país. O máximo é quando ele diz que os sonhos (desejos, vontade, etc) desfazem aquilo que o padre falou (os militares “ensinavam” como verdade). E ninguém é feliz tendo amado uma vez, é claro que para ele ninguém podia ser feliz sendo apenas o modelo exigido pelo poder dominante, era preciso perder o medo da chuva (da força dominante)… e assim vai. Letra fantástica que não foi percebida pela censura.

  7. Rosangela Macinelli disse:

    Medo da chuva – além de ser uma das mais belas e poéticas músicas de Raul, trata da escravidão que pode ser uma vida a dois quando se tem uma esposa possessiva e ditadora. “é pena, que vc pense que sou seu escravo…dizendo que sou seu marido e não posso partir…”

  8. Santiago disse:

    Que absurdo esses comentarios que dizem que essa musica fala da ditadura.Essa musica tem o mesmo sentido da musica A Maça. Ele fala na liberdade que o casal precisa ter. Ele se baseou num casal que ficou famoso por ser liberal. Agora eu nao me lembro o nome do casal. Raul achava que um casal devia transar com outras pessoas: na musica a Maça ele diz: amor só dura em liberdade o ciume é só vaidade sofro mais eu vou te libartar.

  9. NAVA disse:

    MEDO DA CHUVA.

    A música expressa a liberdade individual do ser humano, o livre arbítrio. Mais precisamente fala da liberdade individual quanto a vida amorosa e afetiva. Contesta os valores e princípios do casamento, que segundo Raul Seixas desindividualiza o ser e também sufoca sua própria liberdade individual.

    ” É pena que você pense que eu sou seu escravo/ Dizendo que eu sou seu marido e não posso partir”

    Nesse primeiro trecho da música fica evidente a ideia que Raul quer repassar. A ideia que o casamento deixa os indivíduos sem liberdade e aprisionado ao outro .

    ” Como as pedras imóveis na praia eu fico ao teu lado/Sem saber dos amores que a vida me deu e eu não pude viver”

    O segundo trecho da música reforça a ideia que é passada no primeiro trecho da música. As pedras imóveis representam o marido que é comparado as pedras porque as pedras não podem se mexer, não tem liberdade individual.

    Já depois do refrão vem o seguinte trecho:

    ” Eu não posso entender tanta gente aceitando a mentira/ De que os sonhos desfazem aquilo que o padre falou/ Porque quando eu jurei meu amor eu traí a mim mesmo/ Hoje eu sei que ninguém nessa vida é feliz tendo amado uma vez”

    Ele não consegue entender como as pessoas não conseguem enxergar a verdade, que o casamento os sufoca e os aprisiona. E também não consegue entender porque as pessoas pensam que devem desistir dos seus sonhos quando se casam porque acreditam que são pecados. Quando ele fala que quando jurou amor ele traiu a si mesmo é porque ele acredita que ninguém é capaz de amar a mesma pessoa para sempre : ” Hoje eu sei, que ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez”

    Enfim, a música retrata o pensamento avançado de Raul Seixas, que contestava os valores da sociedade de uma forma bastante complexa e corajosa, rompia com os valores de seu tempo porque estava à frente do seu próprio tempo, e por isso quase nunca era compreendido ou era sempre mal compreendido e por isso considerado louco pelas pessoas que estavam abaixo de seu raciocínio, e que tinham mentes compatíveis a de seu tempo.

  10. Jonas Ferdinando disse:

    Muito boa a sua interpretação da múscia medo da chuva, NAVA!!!! Gostei muito e me ajudou a compreender a letra!

  11. thamires fernanda da silva disse:

    Grande Rau Seixas.. Que a tempos onde poucos aviam coragem de se expressar, teve a coragem de filosofar o real sentimentos da maioria dos casados! Mas hj em dia a grande maioria não levam tão a serio seus votos, e os que realmente os respeitam, em algum momento de sua vida se sentiram assim, ‘APRISIONADOS’ a algo que ja não os fazem feliz.

  12. Márcio disse:

    Na boa, acho q se tratando de Raul Seixas e Paulo Coelho, vc’s levam as coisas muito ao pé da letra. Por ser um período de ditadura e extremo conservadorismo, eles preferiram fazer a música como um homem desabafando, onde na verdade seria uma mulher insatisfeita com o relacionamento, pois o machismo predominava e uma mulher devia ser subordinada e comer o pão que diabo amassou. Já que para uma mulher divorciada o preconceito foi sempre maior do q em relação ao homem para sociedade. ”dizendo que sou seu marido e não pode me deixar”, isso na verdade é o homem que diz pra mulher. Se eles colocasem dessa forma, do ponto de vista feminino, a música seria censurada, mas de um ponto machista, a idéia passaria desapercebida. Parabens a estes dois gênios!!!!!!

  13. JULLIANO SANTOS SILVA disse:

    A música trata de questões muito além dos paradgmas conjugais e sociais e de como esses paradgmas exercem domínio sobre o indivíduo.Trata-se também da passividade,da ausência de si perante o pensamento do outro(”de que os sonhos desfazem aquilo que o padre falou”),ou seja,a tendência do individuo de enxergar a vida tal qual os outros enxergam,e não como ele mesmo enxerga.O operador dominante citado dentro do contexto da música aparentemente é o amor, não como objeto institivo ,mas como objeto representativo.Ao usar termos como ” marido”,”padre”,”pedra”,”escravo” e ”ninguêm é feliz tendo amado uma vez” tem-se a convicção de que aborda sobre um relacionamento conjugal frustrado,pelos quais os cônjuges não exerceram seu papel esperado dentro dessa instituição.Mas na verdade aborda-se sobre os conflitos individuais em contradição com os pensamentos dos outros que insistem em prevalecer acima de si,sem haver necessariamente o fator presencial de um terceiro durante esses conflitos.

  14. Danny disse:

    NAVA, vc tem uma idea to que Raul se referia com o trexo “Eu perdi o meu medo
    O meu medo, o meu medo da chuva
    Pois a chuva voltando
    Pra terra traz coisas do ar”

    Muito Grato

  15. Bianca disse:

    Essa música é simples de se entender…
    Na letra ele está criticando o casamento em que existe possessividade e não abre caminho para a liberdade individual…
    E quando ele diz “pedras que choram sozinhas no mesmo lugar” é como aquelas pessoas que não estão satisfeitas com o casamento, mas ainda assim continuam casada por causa do tabu do casamento x religião…

  16. Alexandra disse:

    Ninguém é capaz de amar eternamente apenas uma pessoa. Que seres miseráveis que seríamos se nutríssemos um mesmo sentimento para sempre. O ser humano é mutável e precisa de constantes mudanças. O casamento é fantástico, sendo que a falsa moral religiosa impôs ao Homem algo que ele nunca conseguirá: amar uma única pessoa. Os que dizem que vive isso, se engana e um belo dia irá entender a mentira que viveram ou vivem. MEDO DA CHUVA – Valeu Rauzito!

  17. Eric disse:

    Belo discurso e duro de ser praticado.

    Com certeza ele fala sobre relações que vão ficando mornas e aí entra a infidelidade ou a possibilidade de poder amar novamente de forma intensa como todos os inícios.
    Até aí ótimo mas colocar em prática significa abandonar a questão familiar.Ou acham que ele foi um bom pai? Voltado para sua loucura e seus amores se apresenta meio juvenil a pretensa idéia de que a vida simples a dois sem a paixão inicial perca o sentido e valor. Essa música é um espetáculo para quem não se relaciona de forma adulta e não é ciente das dificuldades que se apresentam com a intimidade. Raul Gênio.

  18. Daniel disse:

    Só para acrescentar uma informação: No filme sobre Raul, sua amante diz que ele fez essa música para sua primeira mulher, Edith, no período em que eles estavam se separando. Acredito que a música retarta exatamente esta fase e este acontecimento da vida de Raul, uma separação e um novo amor.

  19. Marcela fiel disse:

    Diante de tantas opniões inteligentes…Faço a minha. “Que ninguem nesse mundo é feliz tendo amado uma vez”
    FALA DOS RELACIONAMENTOS DE NOSSA VIDA, APÓS DE OBSERVAR PESSOAS INFELIZES QUE PASSAM UMA AO VIDA AO LADO DE OUTRA (vendo as pedras que choram sozinha no mesmo lugar) O QUE APRENDEMOS DESDE QUE ENTENDEMOS POR GENTE AINDA MAIS SEGUINDO UM DETERMINADO CREDO RELIGIOSO É QUE DEVEMOS NOS MANTER PUROS PARA RECEBER EM MATRIMONIO UMA PESSOA QUE FICARÁ PARA O RESTO DA VIDA AO NOSSO LADO, ORA RAUL FAZ UM PROTESTO AS LEIS DA IGREJA E DA OBRIGAÇÃO DO MATRIMONIO. A IGREJA NOS IMPOEM CONDIÇOES QUE NA MAIORIA DAS VEZES NÃO QUEREMOS ACEITAR… O CANSAÇO O FAZ REFLETIR SOBRE AS CONDIÇÕES MATRIMONIAIS, E EM UM INTENSO DESABAFO AO FINAL ELE DIZ QUE NAO PODE MAIS SUPORTAR, COMO A MAIORIA DAS PESSOAS (PEDRAS) CLARO QUE EM PLENO ANO 2012 A NOSSA CULTURA E NOSSA FORMA DE PENSAR MUDOU BASTANTE! ACREDITO QUE ELE EM VIDA NÃO SE PREOCUPAVA COM A OPNIAO DAS PESSOAS ELE “DEVE” TER FEITO A MUSICA OBSERVANDO ALGUNS CASOS DA EPOCA….

  20. Juliano Goulart disse:

    Eu interpreto essa música como sendo uma crítica política na época da ditadura.

    Pois o governo pregava que quem era contra o governo deveria ser punido, e ainda lançava mão da frase “Brasil, Ame-o ou Deixe-o”.

    como ele perdeu o medo do governo, decidiu ir embora do casamento, no caso, do Brasil. Quando ele diz que traiu a sí mesmo no juramento, ele diz que traiu a sí mesmo no juramento obrigatório que é feito a bandeira nacional .

  21. jailson silva disse:

    Eu queria poder te conhecido ele tinnha uma visão muinto alem das pessoas normais do nosso tempo praticamente um genio da poesia, muinto sabio coisas que não vemos, nesse tempo ainda de ingnoracia.

  22. Jackeline Borge Duginski disse:

    Minha Opinião… Raul simplesmente fez essa canção para Edith Wisner

  23. Bazz Shelters disse:

    A chuva, sem dúvidas, é a mudança. Acho que ele esconde o ataque à ditadura como se falasse de um casamento. O que o padre falou, é a verdade dos militares. Ser escravo é fazer apenas o que o governo manda e as pedras são as pessoas estáticas, sendo que estas ensinaram o segredo, que é exatamente o que não fazer.

  24. Renato disse:

    Essa música tem a seguinte mensagem: LIBERDADE. Raul, como bem sabemos adepto aos ensinamentos da Thelema que possui a seguinte máxima: Faça o que tu querer pois é tudo da lei. A mensagem é de que enquanto você está preso a alguém, você não é feliz. Os amores que o personagem, não posso dizer se é ele, não pode viver foi enquanto estava preso a um compromisso sério, casamento, noivado etc. Essa música é uma crítica ao catolicismo, ou melhor ao casamento católico: ” até que a morte nos separe” não tem absolutamente nada a ver com ditadura. As pessoas precisão entender que não é porque a música foi feita enquanto perdurava o regime militar que fala sobre a ditadura de forma transvestida, metamorfoseada. Chuva significa que mudança, a perda do medo de mudar, de viver da forma com que bem entender. E não foi assim a vida dele?

  25. sanxer disse:

    è sobre um relacionamento:

    as pedras, pessoas que sonham e nada realizam, o tempo passa e tudo fica como está.

    a chuva: a mulher murmurando e trazendo de volta aqueles problemas e pareciam ter sido resolvidos, perdoados mas, quando uma nova briguinha aparece tudo volta a ser cobrado.

    Viver a mentira é achar que o que o padre falou é o padrão social e que temos que mesmos infelizes vivermos este padrão. Sonho não tem padrão.

    jurar o amor trair a min mesmo: É prometer algo que me fizeram acreditar sem que eu fosse o que acreditam.

    Perder o medo da chuva: É não mais sucumbir a pressão no relacionamento, não sentir culpa por ão fazer alguem feliz sendo infeliz, até mesmo porque a felicidade nos mesmos conquistamos não depende de outra pessoa .

    Eu perdi o Meu Medo da Chuva.

  26. kRISLANE disse:

    Sobre a liberdade

  27. Nelson Lima disse:

    Essa música fala sobre separação, de um rompimento do relacionamento. O começo já deixa claro “dizendo que sou seu marido e não posso partir”
    Perder o medo da chuva é uma alusão a não conseguir superar o choro, as lagrimas a chuva de lagrimas.
    E fala que é a muitos amores nas nossas vidas e que eles devem ser vividos.

  28. Helena disse:

    Essa música e “A Maçã” falam sobre relacionamentos tradicionais, falta de liberdade, possessividade…

  29. Rosangela Rocha disse:

    Entendo essa música como uma crítica à fé Católica sim. Porém, me permito contradizer alguns comentários. A Igreja não obriga ninguém a nada. Ela prega os ensinamentos bíblicos e outros conceitos que adotou. Quem quiser seguir, que siga. Acredito que o Raul pode ter sido católico por tradição, mas em um dado momento de sua vida optou por novos caminhos. É o livre-arbítrio. Espero que esteja bem onde estiver…

  30. Robson disse:

    Essa música é reflexo das ideias de Schopenhauer… . Sobretudo no trecho: Ninguém neste mundo é feliz tendo amado uma vez”… Para o referido filósofo, “amar uma vez” é incongruente com a própria natureza humana..

    http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI299871-17773-6,00-FILOSOFIA+E+USADA+COMO+GUIA+PARA+VIVER+MELHOR.html

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