Relampiano

3 comentários

Lenine

Tá relampiano
Cadê neném?
Tá vendendo drops
No sinal prá alguém
Tá relampiano
Cadê neném?
Tá vendendo drops
No sinal prá alguém
E tá vendendo drops
No sinal…

Todo dia é dia
Toda hora é hora
Neném não demora
Prá se levantar…

Mãe lavando roupa
Pai já foi embora
E o caçula chora
Prá se acostumar
Com a vida lá de fora
Do barraco…

Hai que endurecer
Um coração tão fraco
Prá vencer o mêdo
Do trovão
Sua vida aponta
A contramão…

Tá relampiano
Cadê neném?
Tá vendendo drops
No sinal prá alguém
Tá relampiano
Cadê neném?
Tá vendendo drops
No sinal prá alguém
E tá vendendo drops
No sinal…

Tudo é tão normal
Todo tal e qual
Neném não tem hora
Prá ir se deitar…

Mãe passando roupa
Do pai de agora
De um outro caçula
Que ainda vai chegar…

É mais uma bôca
Dentro do barraco
Mais um quilo de farinha
Do mesmo saco
Para alimentar
Um novo João Ninguém
A cidade cresce junto
Com neném…(2x)

Tá relampiano
Cadê neném?
Tá vendendo drops
No sinal prá alguém
Tá relampiano
Cadê neném?
Tá vendendo drops
No sinal prá alguém…

Tá relampiano
Cadê neném?
Tá vendendo drops
No sinal prá alguém
E tá vendendo drops
No sinal…


3 comments on “Relampiano

  1. Luiz Paulo Nunes disse:

    relação as crianças que acordando todo dia, e toda hora tem que se levantar cedo para pedir dinheiro no sinal, ou pra alguém nos carros, mesmo com chuva(relampiando) ou com sol ! A criança vive sozinha, o pai não fica em casa(se tem né) e a mãe fica com os deveres de casa, que seriam muitos, sem dar atenção pra criança, e tbm, pq ela não fica em casa, pos precisa ajuda-la com o dinheiro que pede, na vida lá de fora(rua), E criança e sensível e emotiva, e por conta dessa responsabilidade deve se endurecer o coração, dando espaço pra razão para vencer a adversidades e perigos dessa vida, que seria simbolizado pelo trovão, e a por usar a razão na idade errada, ela acaba por se encaminhar pelo caminho avesso de que a criança necessita para “evoluir” como pessoa. E a questão se tornou normal, pessoas não ligam pra isso, o estado não liga mais ainda, pois é um reflexo do nosso sistema capitalista. os horários da criança ficam desregulados, assim seu organismo tbm. e tem sempre outra criança para nascer, mostrando a falta de responsabilidade do sexo, e do valor que se dá a ele, e a falta de informação e também de conhecimento(educação) para que evite de ter mais filho(boca para alimentar) para que não sofra o mesmo ou tenha o mesmo estilo de vida que um filho que pede esmola já tem. a cidade cresce em desarmonia, ou a favela, cade nenem ? não há mais, crianças já nascem com valor de adultas. (Escutem a musica do rappa = O novo já nasce velho ) e associem.

  2. Eric disse:

    Mesmo se expondo aos perigos na rua ele não tem escolha, neném tem que estar sempre disposto a trabalhar. Faça chuva ou faça sol, neném deve estar pronto. Pois a falta de oportunidades de estudo, alimentação e moradia o tornam carente de tudo, A necessidade e dificuldade que já vieram impostas a ele e a toda a sua família, torna esta uma família que já nasce fadada ao fracasso, o pai que vive ausente, que sai antes mesmo que neném acorde e a mãe sempre ocupada não conseguem atender nem mesmo as necessidades emocionais de neném que é obrigado a endurecer o seu coração desde jovem para sustentar a sua subsistência. Seu irmão pequeno que também já nasceu tão fadado ao fracasso quanto neném desde pequeno sem nenhuma assistência chora, sem ter amparo e assim aos poucos se acostuma com a vida dura que o presente lhe apresenta e o futuro lhe reserva.
    E a sociedade já tão naturalizada todos os dias passam por neném sem se quer se dar conta de que neném na verdade é uma criança, que foi esquecida pelas políticas publicas uma criança que foi e é anulada socialmente sem nem sequer saber o porquê de tanta maldade. Assim neném é explorado de todas as formas possíveis, pela sociedade, por seus pais e pelo sistema.
    A falta de cuidados da mãe, que também não teve muitas orientações e que trata com mais importância à satisfação de seus próprios desejos do que às consequências de tais atos no futuro. Alimenta cada vez mais o próprio sufoco, limita cada vez mais as chances já tão pequenas que um dia seus filhos ascendam socialmente de e com naturalidade a cidade cresce em volta de neném, de sua família e vai criando vários e vários nenéns, todos com seus destinos já traçados, todos condenados desde o nascimento a miséria e ao fracasso.

  3. Vinicius Pazotto Barbosa disse:

    Esta música composta por Lenine e Paulo Moska traz diversos pensamentos de criticas sociais que ocorrem no nosso dia a dia e não temos uma visão clara sobre o assunto. Esta música (apesar de seu instrumental mais triste, diferente do que normalmente são as músicas de Lenine) consegue transmitir o sentimento de “neném” como uma verdade inimaginável.
    A letra de uma música traz a grafia que representa a maneira de falar característica do lugar: “Relampiano”, expressão nordestina para “relampejando”. Esta canção, de Lenine e Paulo Moska, faixa oito do CD Na Pressão, traz na simplificação da fala não só o retrato da família brasileira – em “Mãe passando roupa para o pai de agora/ de um outro caçula que ainda vai chegar” – como o retrato das esquinas da cidade com o “neném vendendo drops no sinal pra alguém”.
    Como o artista diz o “neném” chamado muitas vezes pelo cantor, é uma representação da criança de periferia, que por muitas vezes não tem essa opção de ter medo dentro dele, faça chuva ou faça sol ela precisa ir trabalhar do jeito que der para arrecadar dinheiro para os pais, que por muitas vezes estão em situação de extrema pobreza.
    No refrão da música, Lenine leva em consideração a palavra drops, uma palavra da língua inglesa, tem o significado de gota, porém, este drops que o artista coloca são as balas vendidas em semáforos, onde há perigo com a circulação de transito.
    O refrão resume bastante o que é dito no decorrer da música, a música tem a entonação de uma história de vida específica, explicando a situação de uma das crianças (dos milhares que existem) que precisam parar de estudar e ir trabalhar vendendo balas no sinal para conseguir dinheiro e cuidar da família.
    Na 4º estrofe o cantor dá uma referência ao mítico che guevara, que diz a frase “hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”, dando uma analogia para sua música. O endurecer desta mesma estrofe serve para a criança se acostumar com o que chamamos de “mundão”, sendo isso o mundo fora de sua casa, de seu lar, o mundo em sociedade, dando sentido com o nome da musica relampiano (gíria nordestina para relampejando), dando assim dois sentidos da palavra, como colapso temporal, e o turbilhão de emoções que sentimos vivendo com outras pessoas de ideologias e classes sociais diferentes, que por muitas vezes não enxergam algo de diferente de sua realidade nem que esteja na sua frente.
    A música é cantada em dois tempos diferentes, enquanto o neném ainda é criança, “chora pra se acostumar” é o irmão mais novo, dando o a intuição de que o irmão mais velho é o que tem que assumir as responsabilidades como “o homem na casa”. Depois de um tempo o artista já remete “do pai de agora, de um outro caçula que ainda vai chegar”, dando mais um sinônimo de abandono que a criança terá em relação ao seu padrasto, pai de seu meio irmão mais novo.

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