Um Girassol da Cor de Seu Cabelo

1 comentários

Ira!

Vento solar e estrelas do mar
A terra azul da cor de seu vestido
Vento solar e estrelas do mar
Você ainda quer morar comigo?

Se eu cantar, não chore não
É só poesia
Eu só preciso ter você
Por mais um dia
Ainda gosto de dançar
Bom dia
Como vai você?

Sol, girassol, verde, vento solar
Você ainda quer dançar comigo?
Vento solar e estrelas do mar
Um girassol da cor de seu cabelo

Se eu morrer não chore não
É só a lua
É meu vestido cor de maravilha nua
Ainda moro nesta mesma rua
Como vai você?
Você vem?
Ou será que é tarde demais?

A terra azul da cor de seu vestido
Um girassol da cor de seu cabelo

Se eu morrer não chore não
É só a lua
É seu vestido cor de maravilha nua
Ainda moro nesta mesma rua
Como vai você?
Você vem?
Ou será que é tarde demais?

O meu pensamento tem a cor do meu vestido.
Como o girassol que tem a cor do seu cabelo. (2x).
O meu pensamento tem a cor do meu vestido.
Qual o girassol que tem a cor do seu cabelo?

O meu pensamento tem a cor de seu vestido
Ou um girassol que tem a cor de seu cabelo


One comment on “Um Girassol da Cor de Seu Cabelo

  1. Luan Ball disse:

    Um fim de semana comum na casa de parentes em Nova Era tinha gosto especial: era a primeira vez que os pais de Duca deixavam a garota viajar com Márcio, namorado recente. O parceiro de Milton Nascimento e irmão mais velho de Lô Borges nunca esqueceu do encontro com a “indiazinha” na rodoviária de Belo Horizonte, naquele sábado de 1970. “Ela estava radiante, os reflexos do sol dourando seus cabelos, muito simples, exalando frescor dentro de um mini-vestido de brim que realçava sua pele morena”, narra Márcio Borges em Os Sonhos Não Envelhecem (Geração, 1996).

    Já no ônibus, o letrista deitou no colo da menina e olhou para o céu azul que fazia lá fora. Repassou mentalmente uma melodia de personalidade forte que o irmão Lô lhe mostrara dias antes. “Embalado pelo balanço do ônibus, entrei num devaneio”, conta. “Desses que fazem, de repente, uma nuvem tornar-se o perfil de um gigante ou, quando faltam nuvens, transformam o próprio céu num oceano profundo e silencioso, e se acaso uma ave no campo de visão, ela é adornada pelos recursos da imaginação com os atributos de um peixe voador ou os de um iate de velas içadas ao vento”.

    Estavam prontos os versos de maior romantismo non-sense da música brasileira, que ele repetia em voz baixa, como um mantra: Vento solar e estrela do mar / a terra azul da cor de seu vestido / Vento solar e estrela do mar / um girassol da cor de seu cabelo.

    Durante a viagem, na escrivaninha do quarto, Márcio terminou a letra de Um Girassol da Cor de Seu Cabelo. No percurso de volta à capital mineira cantou para Duca a música completa que se consagraria na voz hippie do parceiro, no antológico Clube da Esquina (1972). Duca Leal e Márcio Borges se casaram no mesmo ano do passeio, ela aos 16 e ele aos 24.

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