Futuros Amantes

21 comentários

Chico Buarque

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você


21 comments on “Futuros Amantes

  1. Werner disse:

    Parece-me que a letra representa a ironia de um amor não correspondido. O autor ironiza a própria situação de desencanto dizendo à sua paixão: “não se afobe não que nada é pra já”, em uma busca, quem sabe, de acalmar a si próprio, pois todos sabem que quando se ama a melhor coisa é estar com o amor o maior tempo possível.
    É isso, espero ter contribuído!

  2. Rogério Lima disse:

    Algo realmente lindo, acontece nessa canção,e contece de forma nada sutil, Chico se refere ao
    amor com um objeto, uma reliquia duradoura, guardada
    a esmo, tranpõe eras, até que uma civilização outra
    a o encontra, como objeto, algo palpável e em vão
    tenta decifrá-lo, pois foi dado, presenteado, e generosamente, abnegadamente, ” deixei pra você!”
    `interessante, e triste, que nas entrelinhas nota-se uma desilusão com o destino do amor, as futuras civilizações não tem a mínima idéia do que isso seja.
    Uma visão trágica das relações humanas.

    • DANILO RAFAEL NOGUEIRA DE SOUZA disse:

      Além de tudo isso que você pontuou,a canção fala de um comportamento que o ser humano tem de guardar aquele amor inesquecível dentro de si(ele pode esperar em silêncio,num fundo de armário…), e quando se relaciona com outra pessoa esta instintivamente fica intrigada por não notar esse amor no outro (sábios em vão tentarão decifrar o eco de antigas palavras, fragmentos de carta… vestigio de estranhas civilizações) Essa música é praticamente espiritual, a das mais brilhantes que já fora composta!

  3. Sílvio Mello disse:

    Acredito q ele passa a idéia do amor numa visão arquétipa,infinita. Aquele que resiste a tudo, q vai transpor gerações e que muitas dessas farão uso dele e assim será sempre, pois ele, o amor, é infinito, quando afirma q outros amarão sem saber com o amor que um dia deixei p você. Diferenciando dos outros sentimentos qdo. faz essas colocações.

  4. Danilo Agusto disse:

    é uma das letras que retrata o amor mais linda que existe. Ele fala do amor de uma maneira eterna, que segue vivo passando por várias gerações, tempos … e que na verdade aquela essência pode ser utilizada por outras pessoas que estarão amando com um amor que não sabe de onde surgiu mas que existe há anos e anos.

  5. Cah disse:

    As vezes esta música me remete ao fato de uma jovem estar esperando o amor que o eu lírico menciona… Apesar da demora ele vai acontecer … pois o amor não muda, de geração em geração … é só preciso ter calma.

  6. Hérica. disse:

    Essa música fala sobre o amor que não foi utilizado porque nao foi correspondido, ele fica impar!!!
    Mas que esse amor poder ser usado por outra pessoa, porque ele é um amor conservativo…
    =D

  7. erica lima disse:

    Meu entendimento é não podemos esperar pelo amor como se fosse um objetivo e vida, mas q ele chegará no tempo certo e quando a pessoa menos imagina ele chega. Adoro essa musica, principalmente, pq ela demonstra a realidade de muitas mulheres que ficam afobadas pq ainda não encontrou seu amor, onde todos tentam achar uma justificativa para q o amor não surgiu na vida de alguém, mas não se justifica o injustificavel.

  8. Sabrina Rodrigues disse:

    Acredito que o autor tenta revelar o quanto o amor é infinito e transponível. Infinito porque tem o poder de ficar guardado em nós, em lugares, durante muitos anos até ser novamente despertado em nós, inclusive por outra pessoa diferente da que o gerou inicialmente, isso é revelado no seguinte trecho “Amores serão sempre amáveis”. Transponível porque esse mesmo amor pode ser utilizado por outros casais, sentido esse expresso em “futuros amantes quiçá se amarão sem saber,com o amor que um dia deixei pra você”

  9. O mestre Chico deixa claro que o amor não tem pressa, é eterno.
    O amor é visto como uma matéria, algo valioso
    como relíquia e inatingível até mesmo pelo tempo, e que pode ser transposto a outros indivíduos. “Futuros amantes, quiçá se amarão sem saber com o amor que eu um dia deixei pra você”.
    E o amor é colocado além da vida e da morte e além da humanidade. Essa resistência é colocada à prova, ao mesmo tempo que ele indica o lugar onde o amor acontece (Rio de Janeiro). “E quem sabe, então o Rio será alguma cidade submersa, os escafandristas virão explorar sua casa…”
    A eterna contestação do amor aparece rendida, Como algo inexplicável em: Sábio em vão tentarão decifrar o eco de antigas palavras…”
    Enfim, Chico fala do amor mais estabelecido na existência que se pode imaginar.

  10. vanda mesquita disse:

    No amor nâo há pressa, esta é do anseio, ele é do presente por isso é passado e futuro de todos os homens e de todas as mulheres

  11. vanda mesquita disse:

    No amor nâo há pressa, esta é do anseio, ele é do presente por isso é passado e futuro de todos os homens e de todas as mulheres
    Não disse e disse é o amor

  12. Taay Vieira disse:

    “A função do amor, é amar, não importa onde ele esteja, ele será amor em qualquer lugar. A musica relata a historia de dois amantes, dois namorados, que por algum motivo terminaram o relacionamento, mas o amor, continuou. Chico trata de dar características humanas a esse sentimento, dizendo que o amor não tem necessidades imediatas, não tem pressa e pode muito bem esperar. Ele é tão grande, tão verdadeiro, que consegue ficar calado dentro do peito, dentro do armário, esperando em silencio nas cartas que ainda não foram entregues, para cumprir a sua função de amar. E mesmo mudo, ele permanece presente e no ar, mostrando que embora calado, ainda existe. Mesmo que o tempo passe, que a cidade onde esses amantes se conheceram se torne uma cidade submersa, uma cidade perdida, o amor permanecerá lá, firme e intocável e se por acaso alguém que não ama tentar entender este sentimento, tentar transpo-lo em palavras, não irá conseguir. Nem os sábios, vão saber decifrar o eco daquele sentimento, porque é preciso amor para sentir as cartas, os retratos, os poemas. Quando amamos algumas vezes contamos mentiras e Chico trata de dizer, que apenas os apaixonados, os amantes, conseguirão entender tais mentiras, sem paixão, fica impossível. Na ultima estrofe e a minha preferida, fica claro o quanto o amor verdadeiro não muda com o passar dos anos. Ao dizer que “amores serão sempre amáveis” Chico dá um tapa de sentimento e poesia, porque de uma maneira sensacional, ele consegue nos dizer que não importa o que aconteceu, o que separou, o que levou ao fim o relacionamento, aquela pessoa que amamos, sempre nos trará sensações amáveis, mesmo com o fim de um relacionamento, aquele amor verdadeiro, sempre será bonito. Como se já não fosse suficientemente lindo e poético, nosso mestre entra em efervescência e conclui: “Futuros amantes, quiçá se amarão sem saber, com o amor que eu um dia deixei pra você.”, e podemos entender facilmente que Chico expõe a função do amor. Mesmo depois de anos, de milênios, de silêncio, aqueles amantes que terminaram, mas que houve um sentimento verdadeiro podem ficar tranquilos, pois o amor que viveu nos dois, irá encontrar outros amantes para cumpri a sua função de amar. Que todos aqueles que amarem e por acaso sofrerem com desse amor, estão amando com o mesmo amor, que aqueles amantes do passado, deixaram para os que vierem depois, os amantes do futuro.”

  13. Juan Hernandes Lins da Costa disse:

    “Fragmentos de cartas,poemas mentiras, retratos, vestígios de estranhas civilizações”…A musica além de exaltar o transcendentalismo do amor, inerente em sociedades organizadas desde a antiguidade, faz uma forte referência do homem no tempo.Nós seremos uma estranha civilização, daqui a 1000 anos as pessoas estarão se amando, e documentos como fragmentos de cartas, poemas serão o registro histórico da nossa estranha civilização, de nossos amores, dando continuidade na ação do amor no tempo.

  14. Juli disse:

    Ele diferencia o amor da paixão no momento em que diz ”não se afobe não que nada é pra já”, se há amor, esse é verdadeiro, incondicional, imutável e até mesmo trascedental, ele não tem pressa, pode esperar anos pra acontecer porque sendo amor não se acaba nem definha!

  15. Andréa Bueno disse:

    Acredito que ele fale de um amor não correspondido, cujo consolo é saber que o sentimento amor é imortal e transcende através dos tempos até, quiça, encontrar seu destino: o ser amado.

  16. Goretti disse:

    O autor fala de um amor que de alguma forma ficará por milênios e milenios…e algum dia futuros amantes se amarão com o amor deixado, que permaneceu intato, pela pureza e intensidade.

  17. cocs junior disse:

    afff perder tempo nesta analise é tenso, vivam a vida curtam oque tiverem de curtir este é o amor

  18. Marianna disse:

    “Eu tava mexendo no violão, começando a fazer a melodia, e a primeira imagem que apareceu foi exatamente esta: uma cidade submersa, isolada de tudo. Porque, cantarolando, parecia que a música queria dizer isso. Eu tinha que ir atrás da explicação dessa cidade submersa. Aí eu coloquei os escafandristas, e surgiu a história de um amor adiado, um amor que fica para sempre. Essa ideia do amor como algo que pode ser aproveitado mais tarde, que não se desperdiça. Passa-se o tempo, passam-se milênios, e aquele amor ficará até debaixo d’água. Um amor que vai ser usado por outras pessoas, um amor que não foi utilizado porque não foi correspondido, e então ele fica ímpar, pairando… Esperando que alguém o apanhe e complete a sua função de amor”. Chico Buarque

  19. Renata Cristina disse:

    Na verdade, a parte do escafandrista, acredito que refere-se a televisão da época, elas pareciam um escafandro e quando ele fala os “escafandristas virão explorar sua casa
    Seu quarto, suas coisas, sua alma, desvãos” é que de algum modo a televisão irá invadir a sua casa, a sua alma.

  20. Danilo Rafael Nogueira de Souza disse:

    Nesta pérola,Chico expõe que há no ser humano um “amor verdadeiro” que fica oculto,guardado,preservado que o mesmo não revela a ninguém.Aquele sentimento que mesmo a pessoa já casada,vivida e comprometida guarda dentro de si (talvez uma paixão da adolescência que ficou) e as pessoas ficam tentando saber do que se trata “Os escafandristas virão
    Explorar sua casa
    Seu quarto, suas coisas
    Sua alma, desvãos”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *