Folhetim

15 comentários

Chico Buarque

Se acaso me quiseres
Sou dessas mulheres
Que só dizem sim
Por uma coisa à toa
Uma noitada boa
Um cinema, um botequim

E, se tiveres renda
Aceito uma prenda
Qualquer coisa assim
Como uma pedra falsa
Um sonho de valsa
Ou um corte de cetim

E eu te farei as vontades
Direi meias verdades
Sempre à meia luz
E te farei, vaidoso, supor
Que é o maior e que me possuis

Mas na manhã seguinte
Não conta até vinte
Te afasta de mim
Pois já não vales nada
És página virada
Descartada do meu folhetim


15 comments on “Folhetim

  1. Jennifer disse:

    O Eu lírico é uma mulher que não se apega emocionalmente ao seu cônjuge (Sou dessas mulheres que só dizem sim). Que aceita qualquer proposta afim de satisfazer a si própria (Uma noitada boa, um cinema um botequim). Não é exigente. O prazer não está em receber presentes (Se tiveres renda aceito uma prenda, qualquer coisa assim). É uma mulher que fala coisas pra agradar quando estão a sós, elevando o ego de seu companheiro (E te farei vaidoso supor que és o maior e que me possuis). Porém, no dia seguinte descarta-o como se não tivesse mais importância ou serventia, visto que já satisfez suas proprias vontades (Pois já não vales nada,és página virada descartada do meu folhetim).

  2. ze andrade disse:

    Nao seria um programa? Ela satisfaz a vontades de quem a contrata e diz que o cliente quer escutar, como todas mulheres de programa na amnha seguinte o descarta e começa tudo denovo , mais um folhetim

  3. Fulana disse:

    É a rotina de uma prostituta. Ela faz seu programa, aceita o dinheiro, e na manhã seguinte, vai embora, por não ter vínculo nenhum com seu cliente. O faz sentir o melhor homem de todos, o elogiando, fazendo todas as suas vontades.

  4. lullycat disse:

    Sim, também acredito que a música fale sobre a rotina das profissionais do sexo, mas eu acho que fala de uma forma romântica, doce dessa profissão.

  5. tripa_rs disse:

    Também partilho da opinião de que trata-se da vida de uma prostituta, mas sinto uma entonação triste e vazia na interpretação e melodia, o que me faz imaginar que ao mesmo tempo que agrada aos homens, não é ela, agradada.

  6. Charles Robson disse:

    Não se trata de uma prostituta. A Jennifer foi perfeita na sua análise, trata-se de uma mulher que não se apega emocionalmente. Ou algum de vocês já ouviu falar em prostituta que faz programa por um sonho de valsa? Alguém convida uma prostituta ao cinema?

  7. Solange disse:

    Também compartilho da opinião da Jennifer… para mim é a “mulher de uma noite”, que não se apega!!! 🙂

  8. Carlito Sales disse:

    Para mim trata-se da vida de uma mulher livre, sem compromisso com ninguem a não ser com ela mesma.Esse é seu folhetim, seu sonho de valsa.

  9. Natália Morais disse:

    Certamente é uma prostituta. Nenhuma pessoa, mesmo que seja livre diz sim pra qualquer outra pessoa, apenas as prostitutas “são obrigadas” a fazerem isso. Mas, não se trata apenas de sexo, também da companhia (Por uma coisa a toa, uma noitada boa, um cinema, um botequim). Sutilmente o eu lirico cobra o personagem (E se tiveres renda, aceito uma prenda) do modo que deve ser cobrado para o cliente crer que o eu lirico realmente quer passar por aquele momento, coisa que fica mais clara quando diz “E te farei as vontades, direi meias verdades, sempre a meia luz… E te farei, vaidoso, supor, que és o maior e que me possuis”. Ela fará tudo aquilo que ele quiser, porém, não é real nos sentimentos do eu-lirico. E, obviamente, após o tempo do programa ela vai embora “mas na manhã seguinte, não conta até vinte, te afasta de mim”. Foi dessa maneira que compreendo a música

  10. Patricia Braga disse:

    “”Folhetim” focaliza a figura da prostituta que oferece os seus encantos – “Se acaso me quiseres / sou dessas mulheres / que só dizem sim..” -, tema idêntico ao da composição “Love for Sale”, de Cole Porter, proibida e depois liberada nos anos trinta. Mesmo antes de terminá-la, para uma personagem da “Ópera do Malandro”, Chico já pensava em entregá-la a Gal Costa para gravar. Assim aconteceu, com Gal cantando-a acompanhada por músicos como Wagner Tiso, Perinho Albuquerque, autor do arranjo, e Jorginho Ferreira da Silva, em criativa intervenção ao sax-alto. Escrita por Chico Buarque e baseada na “Ópera dos Três Vinténs”, de Kurt Weil e Bertolt Brecht, e na “Ópera dos Mendigos”, de John Gay, a “Ópera do Malandro” conta a história de dois malandros rivais (Max e Duran) e apresenta uma alentada trilha musical em que se destacam, além de “Folhetim”, canções como “Homenagem ao Malandro”, “O Meu Amor” e a intrigante “Geni e o Zepelim”. Diga-se de passagem que a “Ópera dos Mendigos”, uma sátira à sociedade inglesa do século XVIII, é considerada uma obra revolucionária por ter levado canções populares para o teatro operístico.”

    Fonte: Livro 85 anos de Música Brasileira Vol. 2, 1ª edição, 1997, editora 34

  11. Ana Sara disse:

    Essa música é uma narrativa de uma mulher de extrema independência sexual.
    Na 1ª estrofe ela já fala que é dessas mulheres que só dizem sim, que não importa se é somente por prazer sexual, ou pela companhia,um cinema, um barzinho sem compromisso.
    Na 2ª ela fala que ele tiver renda e querer presentia-la para ela tudo bem, não importando o que quer que seja. Ela realizara suas fantasias, falará mentiras, fingirá orgasmo,e ainda falará que é o melhor e o maior que ela já teve.
    E no outro dia ela não espera nada, que foi apenas sexo casual.

  12. Maria Eduarda disse:

    o nome da musica se chama folhetim como uma metáfora aos homens que o eu lírico passa seus dias.Folhetim e uma noticia que depois de um dia não vale mais nada,assim como um homem na visão do eu lírico que apôs uma noite não vale mais nada.Nessa musica ela mostra sua independência e determinação ja conformada com a vida que leva e com o contexto da sociedade que se vive.

  13. Kelli disse:

    Folhetim
    21 ago 2013, por Marcelo Vitorino

    Em: Crônicas, MPB | Tags: casamento, chico buarque, crônica, esposa, evangélica, folhetim, gal costa, marido, moriael, mpb, naquela mesa, traição, virgem

    Um casamento que se desmonta em reviravoltas é o palco para a crônica baseada na música “Folhetim”, de Chico Buarque, na voz de Gal Costa
    De família muito simples, evangélica, Dora casou-se virgem aos vinte anos. O noivo era frequentador da mesma igreja e desde a adolescência nutria desejo pela moça. Na verdade, desejo era pouco, Moriael era realmente obcecado por ela.

    Beirando aos trinta, bem mais experiente que Dora, mandava presentes e pequenos mimos, tudo no interesse de chamar sua atenção. Para a tristeza do rapaz, nada parecia surtir efeito. Dora o ignorava sem o menor traço de piedade.

    Como as famílias de ambos tinham proximidade, um casamento entre os dois seria visto com bons olhos por todos, mas isso não interessava a principal parte do enlace. A moça nem sequer cogitava a opção de namorar, quanto mais casar-se com ele.

    O desdém que ela mostrava estimulava ainda mais Moriael, que já reparava nela desde sua adolescência, quando começou a tomar corpo e jeito de mulher.

    Dora queria sair de casa, conhecer o mundo, namorar bastante e depois ver o que faria da vida. Como toda menina que entra na puberdade, tinha fantasias em como seria o sexo, mas por causa de sua religião, preferia reprimir tais desejos.

    Certo dia, ao chegar em casa, recebe a notícia de uma tragédia que mudaria sua vida: seu pai fora assassinado. Vítima de um assalto no centro da cidade, enquanto esperava o ônibus para voltar para casa.

    Como se fosse um parente muito próximo, Moriael se encarregou de cuidar de tudo, amparando a família naquele momento triste. Usou seus contatos para agilizar a liberação do corpo, comprou o caixão e conseguiu vaga para o enterro. Durante todo o velório fez questão de permanecer ao lado de Dora, amparando-a.

    Sua dedicação foi recompensada. Não imediatamente, mas foi. O coração de Dora, que antes parecia impenetrável, começou a dar mostras de fragilidade.

    Sem o patriarca e com irmãs mais novas para sustentar, a pressão pelo casamento intensificou-se. Até o pastor decidiu engrossar o coro para que os jovens tivessem alguma coisa.

    Não demorou muito para que Dora cedesse, a necessidade que sua família passava acelerou o processo. Namoraram cerca de seis meses, seguindo a risca todas as limitações impostas pela religião, mesmo contra a vontade do noivo, e em seguida casaram-se.

    Na noite de núpcias teve uma surpresa: continuou virgem! O então marido bebeu tanto na festa do casamento que passou a noite no banheiro, debruçado em cima do vaso sanitário, esgoelando-se em vômitos.

    Tudo o que se esperava para aquela noite, aconteceu na noite seguinte. Mas aquele ato não poderia ser chamado de amor entre duas pessoas, parecia mais um estupro silencioso. Moriael arrancou-lhe a roupa, deitou-a de bruços na cama e foi para cima dela como se fosse um boi cobrindo uma vaca.

    Com medo de decepcionar o marido, Dora tentava disfarçar o choro. Para sua sorte, seu sofrimento não durou mais do que cinco minutos. Assim que se saciou, o marido deu-lhe beijo na nuca, deitou ao seu lado e dormiu. Tudo sem dizer uma única palavra.

    Ao conversar com sua mãe sobre o que aconteceu, Dora foi orientada a se calar, pois devia isso ao marido, também disse-lhe que esse tipo de coisa era normal, com o tempo melhoraria.

    Passados mais seis meses a situação não melhorou. Aliás, piorou! Já nas semanas seguintes ao casamento alguns traços de violência puderam ser notados. Em um jantar, Moriael não gostou da comida e jogou o prato ainda cheio na parede, que por pouco não acertou Dora. No dia seguinte deixou claro que não queria mais essa proximidade dela com a família, não desejava mais vê-la enfurnada na casa das irmãs ou da mãe.

    A vida do casal era horrível, ao menos para Dora. Com medo de engravidar do marido, passou a tomar anticoncepcionais escondido. O que parecia ser uma solução, com o passar dos meses também se tornou um problema. Moriael queria ter filhos e, diante da ausência de uma gravidez, passou a trata-la ainda pior.

    Separar não era uma possibilidade para Dora. Àquela altura o marido era quem sustentava a família dela inteira. Romper significaria o abandono de sua mãe e irmãs, decidiu então que seria melhor engolir o orgulho e seguir adiante.

    Cada vez mais distante, Moriael passou a chegar tarde em casa, depois das duas ou três da madrugada. Parecia se esforçar para encontrar a esposa dormindo. Depois de algum tempo, Dora resolveu confrontá-lo:

    — Mori, noto que você está chegando tarde. Está acontecendo alguma coisa?

    — Está! — respondeu secamente.

    — Então me conte!

    — Eu até poderia responder, mas isso não é da sua conta! — fez uma pequena pausa e continuou — Aliás, Dora, mesmo se eu explicasse você não entenderia, é coisa de homem!

    Pensou em mandar Moriael para o quinto dos infernos, retrucar dizendo que ele é que não entenderia visto que o assunto era “coisa de homem”, pois não passava de um moleque, mas lembrou-se de toda a situação e, com muita tristeza, se calou.

    Após alguns meses com o marido ausente, em uma das noites de solidão, Dora liga para a casa de uma de suas irmãs. Foi surpreendida de tal forma que seu coração quase parou.

    As mãos ficaram trêmulas ao ouvir a voz de Moriael do outro lado da linha. Não conseguiu esboçar reação alguma, estava completamente passada. Dora não era ingênua, sempre imaginou que o marido tivesse lá os seus rabos de saia, mas nunca pensaria que ele pudesse ter algo com sua própria irmã.

    As horas seguintes pareceram anos, com os minutos passando vagarosamente. Pensou em cometer uma loucura, matar o marido e depois dar fim a própria vida, mas o tempo serviu para que a crise de choro cessasse e lhe acalmasse os ânimos.

    Quando Moriael chegou, fingiu que estava dormindo, não teria como encará-lo. No dia seguinte serviu o café como se nada tivesse acontecido, seu jeito permanecia o mesmo, sem despertar a menor desconfiança do marido. Mas, dentro dela tudo havia mudado.

    Durante uma semana inteira, recebeu a visita de quase todos os homens do bairro. Para todos entregou-se completamente, sem pudor algum, sem remorso, sem freios. Entre os visitantes, fez questão de incluir até mesmo os amigos do marido.

    Sabia que suas aventuras não ficariam impunes por muito tempo, mas não se importava. Era o sabor da vingança que a motivava. A traição com a irmã corroeu sua alma, mas ter se mantido casta, mesmo sendo maltratada e traída é que lhe revoltou.

    Decidiu que deveria sair sem rumo no mundo. Num ato de rebeldia, pegou a tesoura e cortou, ela mesma, os próprios cabelos. Aproveitou o instrumento para transformar suas saias cumpridas em micro-saias.

    Antes de sair definitivamente, de malas prontas, passou na casa da irmã, deu-lhe um forte abraço e um beijo na boca, mas nenhuma palavra. Não havia o que ser dito.

    A partir daquele dia, nunca mais foi de um homem só, nem quis mais ninguém que lhe pudesse botar cabresto.

  14. Luisa disse:

    Gente, Folhetim não é sobre uma prostitua. ME AJUDA AÍ NÉ. Pedra falsa, sonho de valsa, cinema, buteco.

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