Faça o download do App do Análise de Letras para Android! É grátis!

A gente faz hora, faz fila na vila do meio dia
Pra ver Maria
A gente almoça e só se coça e se roça e só se vicia
A porta dela não tem tramela
A janela é sem gelosia
Nem desconfia
Ai, a primeira festa, a primeira fresta, o primeiro amor

Na hora certa, a casa aberta, o pijama aberto, a família
A armadilha
A mesa posta de peixe, deixe um cheirinho da sua filha
Ela vive parada no sucesso do rádio de pilha
Que maravilha
Ai, o primeiro copo, o primeiro corpo, o primeiro amor

Vê passar ela, como dança, balança, avança e recua
A gente sua
A roupa suja da cuja se lava no meio da rua
Despudorada, dada, à danada agrada andar seminua
E continua
Ai, a primeira dama, o primeiro drama, o primeiro amor

Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo
Que amava Juca que amava Dora que amava Carlos que amava Dora
Que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava
a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha



Qual é a sua interpretação?





*



3 Comentários

Essa música brinca com as palavras ao falar ao mesmo tempo de sensualidade, sexo, amor e juventude. Chico aborda acontecimentos rotineiros para expor esses temas. A peça Gota d’água foi apresentada em meados dos anos 70, onde a censura era fortíssima, principalmente com artistas como ele e Caetano, por exemplo. No entanto, essa música não tem conotação política, mas foi alvo de discussão jurídica porque, aos olhos da censura, demonstrava uma certa “libertinagem” ao compor a última estrofe, o que fez com que ele explicasse o que é “amor”.

Era imprevisível o que aconteceria a uma canção enviada à Policia Federal — e todas, evidentemente, tinham que passar por lá. Quase sempre era preciso argumentar e negociar com os censores. No caso de Chico, isso era feito através dos advogados da gravadora, porque ele, por princípio, se recusava a dialogar com a censura. A batalha, algumas raras vezes, dava certo. Na parte final de Flor da idade, por exemplo, baseada no poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade, uma vertiginosa ciranda de amores acaba por acasalar dois homens, Paulo e Juca, para o escândalo das autoridades. Em carta aos advogados, Chico citou o dicionário para argumentar que o verbo “amar” nem sempre tem conteúdo erótico. A música passou. A mesma sorte não teve Vence na vida quem diz sim — não adiantou Chico, muito sério, propor a troca de uma palavra: Vence na vida quem diz não. Às vezes, ele provocava — fazendo, por exemplo, irônicos elogios à censura, que se via então forçada a proibir também os comentários a favor. Em lugar de Cálice, vetadíssima, escrevia Pai na relação de músicas que obrigatoriamente era apresentada à Polícia Federal antes dos shows; havia sempre a chance de o funcionário bobear, e em alguns casos aconteceu.

Esta estrofe :
Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo
Que amava Juca que amava Dora que amava Carlos que amava Dora
Que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava
a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha

É uma intertextualidade a Drummon este outro aqui?
QUADRILHA

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade

Qual é a sua interpretação?

-->