Cajuina

CAJUÍNA

Existirmos: a que será que se destina?
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina

25 comentários em “Cajuina

  1. detalhe é que a cajuína é um líquido doce (apesar de conter apenas o doce da frutose do cajú), cristalino e que se consome gelado. com certeza o autor além de fazer uma homenagem ao amigo quis fazer uma homenagem a cidade, pois a bebida alem de gostosa é um produto muito consumido em Teresina.

    A cajuína é tipicamente piauiense e é um produto que é feito de forma lenta e artesanalmente. Sem dúvida, apesar da tristeza do momento, foi uma bela homenagem.

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  2. Prezada Sol do comentário 2,
    Cajuína é uma bebida a base de caju. A bebida é de cor castanha. É um tipo de suco concentrado muito consumido nos estados do Ceará e do Piauí e não é gaseificado, sendo que a Cajuína piauiense é considerada a melhor. Por isso a cajuína cristalina em Teresina. Acho que a informação pode ajudar nas interpretações.

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  3. gostei da análise da galera ai, estão de parabéns, mas vi que rolou uma duvida sobre a cajuína, eu também vi essa entrevista do caetano no antigo programa livre do serginho groisman, a interpretação sobre ” A CAJUÍNA CRISTALINA EM TERESINA” nada mais foi o momento em que o pai do Torquato serviu a cajuína durante essa visita do caetano a sua casa, e depois o presenteou com uma rosa menina.

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  4. é uma musica intrigante, cantamos no coral e muita gente achou dificil e não entendeu nada, inclusive eu. Só c a busca na internet passei entende la, linda e no final de uma das apresentações ele dedica p completar a violeta arraes. ficou completa letra, melodia etc e compartilho esta lágrima nordestina c caetano veloso. Valeu amigo.

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  5. Caetano Veloso comentou no antigo “Programa Livre” que era muito amigo de Toquarto Neto e de seu pai, mas que, no momento em que Toquarto se matou, já fazia tempo que não se viam.

    Disse ainda que anos após a morte do amigo, a mãe do mesmo teve sério problema de saúde e foi hospitalizada. Nesse momento, Caetano foi visitar o pai do Toquarto, mas que acabou se emociando demais no encontro e que chorou muito naquele dia, sendo que o pai do Toquarto é que teve que ampará-lo.

    Caetano contou que pouco conversaram naquele encontro.

    Determinada hora, o pai do Toquarto lhe serviu uma cajuína e o deixou sozinho na sala da casa e foi ao quintal.

    Quando retornou, estava com uma rosa pequenina nas mãos e a ofereceu ao Caetano.

    Disso surgiu sua inspiração para a música.

    Penso que Cajuína é uma música escrita para Toquarto Neto, mas direcionada mais diretamente ao pai dele, além de ao próprio Caetano Veloso, tendo como pano de fundo uma reflexão sobre a própria vida.

    Vejamos:
    “Existirmos: a que será que se destina”
    O poeta divagando…

    “Pois quando tu me deste a rosa pequenina”
    Está falando do momento em que o pai do Toquarto lhe deu a rosa pequenina

    “Vi que és um homem lindo […]”
    Creio que aqui começam a se “misturar as homenagens”. O tal “homem lindo” pode ser tanto o pai (destinatário direto da canção, creio) quanto ao próprio Toquarto, em uma reminiscência do amigo, sendo que o adjetivo em questão esta fazendo referência à qualidades do tal “homem” enquanto pessoa.

    “[…]e que se acaso a sina
    Do menino infeliz não se nos ilumina”
    Nesse trecho, creio que “a sina do menino infeliz” pode tanto significar a sina de Toquarto, que havia se matado, quanto, mais remotamente, a do próprio Caetano, que estava muito triste e chorando naquele dia. Ele que, provavelmente, teria ido visitar o pai do Toquarto para apoiá-lo na fase difícil em que se encontrava, com a mulher hospitalizada.
    Nesse passo, o “nos” da expressão “nos ilumina” poderia significar tanto Caetano e o pai do Toquarto, quanto um aspecto mais geral, com a intenção do poeta de ter seu poema como uma reflexidão diante da vida.

    “Tampouco turva-se a lágrima nordestina”
    Se é certo que a sina do menino infeliz não nos ilumina (morte do Toquarto ou o choro descompassado do Caetano) não melhorou a vida de ninguém, nem do pai dele, nem do Caetano, por óbvio, não modificou aquilo que lhe causou a depressão, tal como o choro do Caetano não ajudou de modo algum o pai do falecido; ela também não fez “turvar a lágria nordestina”. Para mim, Caetano pode estar a afirmar que, claro, o pai do Toquarto não se iluminou com a morte do filho, mas que também não o abalou a ponto de chorar, no sentido de padecer em sofrimento. Não porque não sofresse com a morte do filho, mas, nordestino, é antes de tudo um forte.

    “Apenas a matéria vida era tão fina”
    A “matéria vida era tão fina” a representar o magro Toquarto, segundo algum colega aqui expôs, também, em um lindo jogo de palavras, expõe a fragilidade da vida, em todos os sentidos possíveis.

    “E éramos olharmo-nos intacta retina”
    Sendo que toda essa reflexão se deu apenas pelo olhar, já que não trocaram muitas palavras naquele momento.

    “A cajuína cristalina em Teresina”
    E o que sobra é a cajuína, cristalina, em Teresina; representando Toquarto, seu pai, Caetano ou a própria… vida? Para mim, tudo isso.

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  6. Em Cajuina, o magistral Caetano Veloso, expressa a sua dor e reflexão, diante da morte do amigo e idealizador da Tropicália, o poeta piauiense Torquto Neto. Torquato Neto, nacionalista, revolucionário, visionário que fez a cabeça dessa geração tropicalista, Chico, Caetano, Gil, e tantos outros. Depois, cai em solidão profunda, aventura-se no cinema novo com Glauber Rocha e, após ver todos so seus amigos exilados, excreve um bilhete após ver a carnavalização em Holywood com Carmem Miranda,portuguesa, se passando por brasileira(tropicalista) com a cabeça dheia de frutas tropicais, escreve um bilhete, “morri porque caiu um abacaxi na cabeça do meu pau” e liga as troneiras de gás no Rio e suicida-se.
    O intelectual e ativista cultural, Torquato Neto, há muito não falava com CAetano, este vai a teresina por ocasião do seu enterro e faz essa música. Existirmos… uma reflexão ” viver pra quê? a que se destina?…”
    agradece a Torquato por ter lhe dado a rosa pequenina, (cultura)ou conhecimento. o poeta magro como todos os tropicalistas da época” apenas a matéria vida era tão fina”. Lembranças e reminiscencias de um passado não muito distante que agora se avoluma com a morte do amigo.
    E ele compara seu olhar cristalino e puro com a Cajuína. Bebida original do Piauí que caracteriza-se por ser a “essencia”, o”supra-sumo” da pureza do caju. Um elemento nordestino, puro, resistente, cristalino que não se turva.
    è por aí.

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  7. Vi e ouvi uma entrvista do Caetano, acho que foi no Altas Horas com o Serginho G. Ele explicou q após o falecimento do amigo Torquato Neto, foi fazer uma visita ao pai. Ambos passaram muito tempo em silêncio até que o pai do Torquato saiu p/ o jardim e de lá voltou com uma flôr. Daí surgiu a inspiração.
    eduardo bastos

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  8. A analise é ótima.Só complementando, acredito que “A sina do menino infeliz” que acabou se matando, se não conseguir iluminá-los,(Seus amigos), tampouco “turva-se”, “deixa-se menos cristalina” a lágrima nordestina(dos seus amigos por causa da sua morte)
    “Apenas a matéria vida era tão fina”, diz como a vida é frágil.
    No fim:”E éramos olharmo-nos intacta retina
    A cajuína cristalina em Teresina ”
    Em outras palavras quer dizer: Eu olhei pra vc ali morto, lembrei do passado, intacto na retina, e chorei(lagrima nordestina=cajuína cristalina em Teresina”

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  9. Eu sei que existe um livro que estuda em um de seus capítulos a relação entre a letra dassa música e a sua linguagem musical, alguém podería me dizer se sabe que livro é esse? pois me sinto bastante contemplado com cada comentário mas desejo ir mais a fundo, se souberem estarei grato.
    abraço

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  10. há muitos anos vejo o nosso querido trio virgulino interpretando essa canção do caetano, e sempre ficava matutando sobre o significado desse poema.
    Bom, nunca gostei muito de análises de poesias não, rssr, mas nesse caso, pela sutileza como o assunto foi abordado pelo compositor, fui buscar alguma análise dessa obra.
    a coincidencia é que mais de dez anos após surgir a dúvida decido procurar saná-la, e encontro um comentário feito há menos de um mês.
    e olha, sucinto como a canção foi nosso comentarista. talvez o uso de muitas palavras não pudesse traduzir algo tão belo por sí só, e belo pela simplicidade.
    perfeitas, a obra e a análise desta.

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  11. Essa música é uma homenagem ao seu amigo Torquato Neto que suicidou-se em 72, após a morte Caetano visitou o pai do rapaz em Terezina e na recepção este ofecereu essa fruta, comun na região nordeste. O clima da visita é retratado na música. “Tampouco turva-se a lágrima nordestina”

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  12. Resposta a Guilherme Gaião : não necessáriamente desta música mas, li recentemente um trabalho de Acácio Tadeu de Camargo e Allan Medeiros Falqueiro- ” A Retórica Musical da MPB” que achei interessante. Espero ajudar.

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  13. Eu só quero deixar registrado que aprendi muito, lendo estas interpretações.Ouvi esta música pela primeira vez na voz de Elba Ramalho e Paulo Ricardo,os dois estavam se apresentando em algum programa que ñ me recordo qual, fiquei encantada com a letra, só agora fui saber que era de Caetano Veloso. Linda! E difícil de interpretar para quem desconhece os fatos!

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  14. “Quem conta um conto aumenta um ponto”, já dizia o ditado popular.
    Li o comentário do Edson Gallo (bastante esclarecedor, parabens) e quero acrescentar o que ouvi falar sobre o assunto: após a morte de Torquato, durante um show de Caetano no Piauí, um velho aproximou-se do palco e o ofereceu um ramo de rosa-menina (aquela rosa miudinha), depois se apresentando no camarim como o pai do Torquato Neto, que Caetano ainda não conhecia.
    Este fato, então, teria gerado a inspiração para a música.

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  15. Pra mim foi uma linda homenagem que Caetano Veloso fez ao poeta Torquato Neto. Ao chegar em Teresina e ali visitando o pai de Torquato, ficou muito emocionado e começou a chorar e sendo consolado pelo pai de Torquato, que o mesmo lhe serviu uma cajuína, bebida feita do caju, gostosa e cristalina. O pai do amigo falecido vai até o quintal e lhe oferece uma rosa. Daí os dois ficam calados a se olhar, Caetano chorava enquanto o pai de Torquato lhe consolava.

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  16. Brilhantes Edson Gallo e Eduardo Bastos. Esta é a “história” da música que eu conhecí via meu cunhado (também precocemente falecido). Ouvir esta música conhecendo a historia da construção do poema é completamente diferente de quando não se conhece a verdadeira história do poema.

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