Análise de “Cegos do Castelo”, de Nando Reis
Sérgio foi muito pertinente com sua observação sobre a letra “Cegos do Castelo”, que Nando Reis gravou com os Titãs. Nando tocou baixo por muitos anos na banda que o consagrou, e atualmente segue carreira solo e mantem uma coluna semanal no jornal O Estado de São Paulo.
Confira a análise de Sérgio:
“Oi, Flor. Boa tarde.
Sua análise desta bela letra do Nando Reis tem tudo a ver. No entanto, apenas como crítica construtiva, desejo dar alguns toques. Creio que além desta visão mais global, a letra traz uma posição mais específica que se refere a um possível afastamento das drogas. É sabido que o Nando enfrentou muitos problemas com drogas pesadas e, após vários tratamentos, se limpou. Nesta música ele procura mostrar os danos causados sob a influência das mesmas utilizando imagens: “Eu não quero mais mentir: usar espinhos que só causam dor”… Isso é tão somente o desejo de se livrar da tentação de buscar a sensação de bem-estar (mentira) que uma picada (espinho) nos proporciona. “Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu”… (Idem). “Dos cegos do castelo eu me despeço e vou…” Afinal, quem são os cegos do castelo? Simplesmente são as amigos da “rodada”, que ele considera ainda cegos por não conseguirem “enxergar” o mundo fora das muralhas (castelo) das drogas. E por aí vai. No final ele confessa a uma possível pessoa amada que ele precisa daquele apoio, do aconchego de um lar. E o artista faz questão de enfatizar numa linguagem bem simples e familiar (”vou cuidar do seu jardim”… “cuidarei do seu jantar”) que é na simplicidade de uma estrutura familiar que se encontra força pra fugir das tentações mundanas. Espero que minha análise tenha servido de alguma ajuda. Obrigado.”
