At the drive in e a infancia perdida

É muito engraçado que o sucesso de uma banda com alguém que nunca ouviu o som vai depender 80% de quem te indicou a banda e o que disse. Digo isso porque todo mundo tem aquele amigo, tio ou irmão mais velho que sempre apresenta as coisas antes de virar famosas ou é aquele que tem o selo de qualidade para apresentar O disco que virou de ponta cabeça o ano de 1963.

Pois bem, digo isso porque experimentei o completo a outra face da moeda. Sabe quando o cara que você tem briguinhas começa a aparecer na escola com a camiseta de uma banda, começa a falar da maldita bandinha do fim do mundo? Óbvio que você nem vai escutar e vai passar a odiar sem nem mesmo ter escutado uma só nota musical. E foi isso que aconteceu com o At The Drive-In. Demorou muito pra eu começar a aceitar o fato de que a banda é muito boa.

Indicada principalmente para os que já passaram pela fase punk-rock e acham o emo muito meloso, o At The Drive-In foi uma mistura muito boa de Smiths e Black Flag. A banda surgiu em 1994 na cidade de El Paso, Texas, bem proxima do México. A proximidade e as heranças mexicanas de alguns membros levaram a uma mistura de estilos muito interessante - tão interessante que de certa forma foi o que levou ao fim da banda.

O último disco, Relationship of Command, foi lançado por uma grande gravadora dos EUA e foi sucesso. Os integrantes não pareciam muito confortáveis com o fato de estarem todos os dias na MTV e conseguirem um público que parecia mais interessado no visual black power de dois dos membros. Está aí um segundo motivo alegado para o fim: a banda estaria se desvirtuando dos objetivos iniciais e participando de uma cena que não gostaria.

O disco em si é ótimo. Começa com a fúria das 4 primeiras músicas, que parece que são entornadas de uma vez só: Arcarsenal, Pattern Against User, o hit One Armed Scissor e Sleepwalk Capsules.  A quinta, Invalid Litter Dept, é maestral. Uma viagem angustiante do começo ao fim da letra “falada” e com direito a um final furioso. O resto do disco são só hinos do post-hardcore quando ainda não era comum se falar de hardcore, post e emo.

O show dos caras era um evento à parte. Pulos, gritos, danças frenéticas, quebradeira de instrumentos… imperdível. A postura de palco era invejável: não admitiam que o público se batesse, nas famosas rodas de pogo. Paravam o show e chamavam a atenção, como em uma das últimas apresentações. Na ocasião Cedric (vocalista) disse: “Eu acho que é muito triste quando a única maneira de você se expressar é se batendo”, e minutos depois completou, quando viu que garotos não paravam de surfar em cima do público: “vocês deviam parar de fazer o que vêem na televisão; vocês são robôs, vocês são ovelhas… mééééé!”.

O final os fãs conhecem. Após esta turnê eles se separaram. Credic e o guitarrista Omar formaram o Mars Volta. O restante formou o Sparta. Duas bandas que são ótimas, e rendiam boas músicas juntos.

Abaixo vídeo do hit One Armed Scissor, no Jools Holland Show:

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