Gabriel García Marquez e os Beatles

Gabriel Garcia Marquez

Gabriel Garcia Marquez


É inevitável pensar que autores consagrados tenham um dom artístico sobrenatural e tenham experimentado, além do que podemos imaginar, artes que não estão acessíveis para nenhum ser humano comum. Se me fosse perguntado, diria com a mais absoluta certeza que estes serem escolhidos de deus escutam somente seus pensamentos, música suficientemente explosiva para qualquer ouvido bem preparado.

Foi com este pensamento infantil que me deparei com as confissões de Gabriel García Márquez, meu autor preferido dos últimos anos. Entre a descrição dos tempos em que escrevia O Amor Nos Tempos do Cólera e Cem Anos de Solidão, e entre os devaneios que criaram Macondo e a família caribenha Gabo deixou escapar que nunca foi tão inspirador escutar Beatles e seu Help, i need somebody.

Escreveu sobre a inspiração que teve e o choque que os garotos de Liverpool submeteram uma geração inteira de latinoamericanos, que estavam mergulhados em suas ditaduras políticas: foi o estopim para a libertação.

“Esta tarde, pensando tudo isso frente a uma ventania lúgubre de onde cai a neve, com mais de cinquenta anos em cima e todavia sem saber muito bem quem sou, nem que caralho faço aqui, tenho a impressão de que o mundo foi igual desde o meu nascimento até o momento em que os Beatles começaram a cantar. Tudo mudou desde então. Os homens deixaram crescer o cabelo e a barba, as mulheres aprenderam a se desnudar com naturalidade, mudou o modo de vestir e de amar, e se iniciou a liberação do sexo e outras drogas para sonhar.”

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