
Na Natureza Selvagem
A trilha sonora de Into the Wild (Natureza Selvagem, em português) é fantástica. Minha última aventura por músicas em filmes trouxe um disco muito forte feito por Eddie Vedder, que não anda muito inspirado no Pearl Jam. O trabalho é fruto de um relacionamento de Eddie com o diretor do filme, Sean Penn, que o convidou para compor ainda em 2007. Os dois já haviam se cruzado nas últimas atuações de Penn, Dead Man Walking e I am Sam - Vedder executou faixas que se transformaram em trilha sonora para os dois filmes.
Natureza Selvagem é o primeiro disco completo e solo do vocalista do Pearl Jam. O processo de composição entre os audiovisuais é o usual: durante os cortes das cenas do filme o músico assistiu as peças e, inspirado pelas cenas do jovem Chris McCandless, escreveu algumas letras, recolheu outras composições, juntou as peças e fez um ótimo trabalho. Misturou temas folks, guitarras cadenciadas, dedilhados de violas e, com temas bastante americanos, cantou as angústias e vereditos do rapaz que abandonou a vida em sociedade. “Society, you’re a crazy breed / Hope you’re not lonely without me” (Sociedade, você é uma raça maluca, espero que não se sinta só sem mim), cantou Eddie em Society, talvez a melhor faixa do disco e a que mais diretamente relaciona a música ao filme.
É uma das poucas trilhas sonoras que, se o filme é enriquecido infinitamente com as músicas, consegue ganhar vida própria fora de filme, seja para lembrar das cenas seja para inspirar novas aventuras.

Gabriel Garcia Marquez
É inevitável pensar que autores consagrados tenham um dom artístico sobrenatural e tenham experimentado, além do que podemos imaginar, artes que não estão acessíveis para nenhum ser humano comum. Se me fosse perguntado, diria com a mais absoluta certeza que estes serem escolhidos de deus escutam somente seus pensamentos, música suficientemente explosiva para qualquer ouvido bem preparado.
Foi com este pensamento infantil que me deparei com as confissões de Gabriel García Márquez, meu autor preferido dos últimos anos. Entre a descrição dos tempos em que escrevia O Amor Nos Tempos do Cólera e Cem Anos de Solidão, e entre os devaneios que criaram Macondo e a família caribenha Gabo deixou escapar que nunca foi tão inspirador escutar Beatles e seu Help, i need somebody.
Escreveu sobre a inspiração que teve e o choque que os garotos de Liverpool submeteram uma geração inteira de latinoamericanos, que estavam mergulhados em suas ditaduras políticas: foi o estopim para a libertação.
“Esta tarde, pensando tudo isso frente a uma ventania lúgubre de onde cai a neve, com mais de cinquenta anos em cima e todavia sem saber muito bem quem sou, nem que caralho faço aqui, tenho a impressão de que o mundo foi igual desde o meu nascimento até o momento em que os Beatles começaram a cantar. Tudo mudou desde então. Os homens deixaram crescer o cabelo e a barba, as mulheres aprenderam a se desnudar com naturalidade, mudou o modo de vestir e de amar, e se iniciou a liberação do sexo e outras drogas para sonhar.”

ENCONTRE AS LETRAS DO MYSPACE DO LITTLE JOY AQUI!
Uma grata surpresa. Com essa sensação aguardo o lançamento do disco do Little Joy, projeto paralelo de Rodrigo Amarante e Fabrizio Moretti. O primeiro é guitarrista e vocalista do Los Hermanos, que está parado já há algum tempo, e o segundo é baterista do Strokes, cultuada banda nova-iorquina que dispensa apresentação.
Encontraram-se para fazer um bom som, que vem a tirar a juventude da lama em tempos de emocore, hiphop e atrizes. Não que eles tenham a pretensão de mostrar o que é boa música, porque a dúvida de com qual banda continuar eles não querem ter; mas se divertir tocando um jazz descompromissado e com boas melodias parece ser o verdadeiro intuito do Little Joy. Uma boa pedida para os que nunca se aventuraram nos tempos das divas e uma boa arejada nos ares dos que não tiram os discos de jazz da vitrola.
Rodrigo Amarante parece à vontade diante do baterista e músicos que salvaram o rock em 2000.O autor de bons versos como “se já não podemos rir um do outro meu bem, o que nos resta é chorar” ataca com letras em inglês, mas não perde sua característica vocal. O que mais me agrada é sua afinação, que não é forçada, mas alcança notas muito agudas e variações muito agradáveis. Ótimo para os cantaroleiros de plantão, que não perdem uma boa letra e melodia.
Não deixe de conferir as primeiras músicas gravadas para o disco que sai dia 4 de novembro no myspace da banda. Aguardo ansiosamente e escrevo mais, com certeza.
FoxyTunes
A principal característica do Foxytunes é a organização espacial das informações. O Yahoo! mandou muito bem neste buscador, que consegue colocar em uma página de resultados fotos, vídeos, informações do modo Wikipedia, Last.fm para ouvir o artista, discos na Amazon, enfim: a página inicial para os fanáticos por artistas conhecidos ou não.
Apresenta também uma opção de mostrar o artista no blog, como apresentado abaixo, e um leque de opções para aqueles que adoram pesquisar novos artistas, via artistas similares.
Red Hot Chili Peppers
Red Hot Chili Peppers are a Californian rock band who have combined aspects of funk and hip-hop with rock and roll, pioneering funk metal. The band started in 1983. more…
[via FoxyTunes / Red Hot Chili Peppers]
Confira mais do FoxyTunes nos exemplos a seguir: Bob Dylan, Madonna e Jamiroquai.
Sérgio foi muito pertinente com sua observação sobre a letra “Cegos do Castelo”, que Nando Reis gravou com os Titãs. Nando tocou baixo por muitos anos na banda que o consagrou, e atualmente segue carreira solo e mantem uma coluna semanal no jornal O Estado de São Paulo.
Confira a análise de Sérgio:
“Oi, Flor. Boa tarde.
Sua análise desta bela letra do Nando Reis tem tudo a ver. No entanto, apenas como crítica construtiva, desejo dar alguns toques. Creio que além desta visão mais global, a letra traz uma posição mais específica que se refere a um possível afastamento das drogas. É sabido que o Nando enfrentou muitos problemas com drogas pesadas e, após vários tratamentos, se limpou. Nesta música ele procura mostrar os danos causados sob a influência das mesmas utilizando imagens: “Eu não quero mais mentir: usar espinhos que só causam dor”… Isso é tão somente o desejo de se livrar da tentação de buscar a sensação de bem-estar (mentira) que uma picada (espinho) nos proporciona. “Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu”… (Idem). “Dos cegos do castelo eu me despeço e vou…” Afinal, quem são os cegos do castelo? Simplesmente são as amigos da “rodada”, que ele considera ainda cegos por não conseguirem “enxergar” o mundo fora das muralhas (castelo) das drogas. E por aí vai. No final ele confessa a uma possível pessoa amada que ele precisa daquele apoio, do aconchego de um lar. E o artista faz questão de enfatizar numa linguagem bem simples e familiar (”vou cuidar do seu jardim”… “cuidarei do seu jantar”) que é na simplicidade de uma estrutura familiar que se encontra força pra fugir das tentações mundanas. Espero que minha análise tenha servido de alguma ajuda. Obrigado.”