Versões reggae de clássicos do rock

Versões de músicas já consagradas em geral não me agradam muito. Isso porque a mesma idéia é repetida incessantemente: um músico pega um violão e, no máximo, coloca sua versão reduzida para algum clássico, o que o torna mais pobre e sem personalidade. Não é o caso dos discos que pude ouvir recentemente de versões reggae de Bob Dylan, Radiohead e Pink Floyd.

O primeiro é Is it rolling Bob? A reggae tribute to Bob Dylan, um disco duplo de versões reggae e dub dos clássicos do Bob Dylan cantados por ícones do reggae mundial. Este disco é uma obra prima por, além de dar uma personalidade interessante às músicas desenvolve as melodias de uma forma a complementar os sons. Os vocais femininos são o ponto alto do disco, colocando uma sensualidade até então invisível nas letras de Dylan.

bob dylan reggae versao

Is it Rolling Bob? - A reggae tribute to Bob Dylan

A track list do álbum é o seguinte:

1. The Times They Are A-Changin’ - Apple Gabriel
2. Maggie’s Farm - Toots Hibbert
3. Just Like A Woman - Beres Hammond
4. Lay, Lady, Lay - The Mighty Diamonds
5. Gotta Serve Somebody - Nasio
6. Knockin’ On Heaven’s Door - Luciano
7. The Lonesome Death Of Hattie Carrol - Michael Rose
8. Subterranean Homesick Blues - Sizzla
9. Mr. Tambourine Man - Gregory Isaacs
10. Don’t Think Twice, It’s All Right - JC Lodge
11. One Too Many Mornings - Abijah
12. Blowin’ In The Wind - Don Carlos
13. A Hard Rain’s A-Gonna Fall - Billy Mystic
14. I And I (Reggae Remix) - Bob Dylan

Os dois outros discos, com regravações de Pink Floyd e Radiohead, foram feitas por uma banda que faz exatamente o motivo da pauta: regravações reggae de clássicos da música. A banda Easy Stars All-Stars é de Nova Iorque e gravou The Dub Side of the Moon, disco-tributo a The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, e Radiodread, disco-tributo a Ok Computer, do Radiohead. Os dois discos são muito bem gravados, com múltiplos vocais - alguns femininos muito oportunos também - e personalidade marcante da banda que acompanha.

O destaque cômico fica por conta dos efeitos, que são substituidos por efeitos do universo reggae. Confira por você mesmo e role de rir, principalmente as versões do Pink Floyd.

The Dub Side of the Moon

The Dub Side of the Moon

Radiodread

Radiodread

As faixas dos dois discos:

The Dub Side of the Moon:

1. Speak To Me / Breathe ((In The Air) featuring Sluggy Ranks)
2. On The Run
3. Time (featuring Corey Harris & Ranking Joe)
4. The Great Gig In The Sky (featuring Kirsty Rock)
5. Money (featuring Gary “Nesta” Pine & Dollarman)
6. Us And Them (featuring Frankie Paul)
7. Any Colour You Like
8. Brain Damage (featuring Dr. Israel)
9. Eclipse (featuring The Meditations)
10. Time Version
11. Great Dub In The Sky
12. Step It Pon The Rastaman Scene (featuring Ranking Joe)
13. Any Dub You Like

Radiodread:

1. Airbag
2. Paranoid Android
3. Subterranean Homesick Alien
4. Exit Music (For A Film)
5. Let Down
6. Karma Police
7. Fitter Happier
8. Electioneering
9. Climbing Up The Walls
10. No Surprises
11. Lucky
12. The Tourist
13. Exit Music (For A Dub)
14. An Airbag Saved My Dub (Bonus Track)

Raridades dos Ramones

Pros fanáticos pelo quarteto novaiorquino o YouTube é um prato cheio. Por lá estão as primeiras imagens de shows feitos pelo Ramones, quando a banda mal tinha se formado e se preparava para revolucionar o comportamento dos jovens dos anos 70 sem nenhuma filosofia paz e amor.

Segue a sequencia de vídeos com as primeiras aparições da banda, ainda em 1975:

Análise de Lanterna dos Afogados, dos Paralamas do Sucesso

Tetekinha fez uma análise muito interessante da música Lanterna dos Afogados, dos Paralamas do Sucesso. Segundo a usuária o nome da letra é o título de um capítulo do livro Jubiabá, de Jorge Amado. Confira a página do livro na wikipedia aqui.

Confira a análise:
“Uma vez li, que essa música faz aLuSão às HistóRiaS e vidas dos pescaDoreS…..

O nome da muSica é o nome de um capítuLo do liro “Jubiabá” do BaiaNo
JorGe AmaDo….

O capítUlo RetraTa um bAr que fica no Cais do porto, onde as
muLheRes que esperaVam seus maridos voLtarem do mar, naquela anGúsTiA de não
saber se VoltarãO e os EspEram à noite, no porto, com suas LanteRnas a fim de
ajUda-LoS a EnconTraR mais FaciLmentE o CamiNho de voLta pra CaSa.

Mas
essa é uma música que se abre a várias interpretações, e muda a cada ponto de
vista , a cada estado de espirito da pessoa que ouve…

Ela é
linda!!!”

Confira o vídeo da Gal Costa e Herbert Vianna cantando a música.

At the drive in e a infancia perdida

É muito engraçado que o sucesso de uma banda com alguém que nunca ouviu o som vai depender 80% de quem te indicou a banda e o que disse. Digo isso porque todo mundo tem aquele amigo, tio ou irmão mais velho que sempre apresenta as coisas antes de virar famosas ou é aquele que tem o selo de qualidade para apresentar O disco que virou de ponta cabeça o ano de 1963.

Pois bem, digo isso porque experimentei o completo a outra face da moeda. Sabe quando o cara que você tem briguinhas começa a aparecer na escola com a camiseta de uma banda, começa a falar da maldita bandinha do fim do mundo? Óbvio que você nem vai escutar e vai passar a odiar sem nem mesmo ter escutado uma só nota musical. E foi isso que aconteceu com o At The Drive-In. Demorou muito pra eu começar a aceitar o fato de que a banda é muito boa.

Indicada principalmente para os que já passaram pela fase punk-rock e acham o emo muito meloso, o At The Drive-In foi uma mistura muito boa de Smiths e Black Flag. A banda surgiu em 1994 na cidade de El Paso, Texas, bem proxima do México. A proximidade e as heranças mexicanas de alguns membros levaram a uma mistura de estilos muito interessante - tão interessante que de certa forma foi o que levou ao fim da banda.

O último disco, Relationship of Command, foi lançado por uma grande gravadora dos EUA e foi sucesso. Os integrantes não pareciam muito confortáveis com o fato de estarem todos os dias na MTV e conseguirem um público que parecia mais interessado no visual black power de dois dos membros. Está aí um segundo motivo alegado para o fim: a banda estaria se desvirtuando dos objetivos iniciais e participando de uma cena que não gostaria.

O disco em si é ótimo. Começa com a fúria das 4 primeiras músicas, que parece que são entornadas de uma vez só: Arcarsenal, Pattern Against User, o hit One Armed Scissor e Sleepwalk Capsules.  A quinta, Invalid Litter Dept, é maestral. Uma viagem angustiante do começo ao fim da letra “falada” e com direito a um final furioso. O resto do disco são só hinos do post-hardcore quando ainda não era comum se falar de hardcore, post e emo.

O show dos caras era um evento à parte. Pulos, gritos, danças frenéticas, quebradeira de instrumentos… imperdível. A postura de palco era invejável: não admitiam que o público se batesse, nas famosas rodas de pogo. Paravam o show e chamavam a atenção, como em uma das últimas apresentações. Na ocasião Cedric (vocalista) disse: “Eu acho que é muito triste quando a única maneira de você se expressar é se batendo”, e minutos depois completou, quando viu que garotos não paravam de surfar em cima do público: “vocês deviam parar de fazer o que vêem na televisão; vocês são robôs, vocês são ovelhas… mééééé!”.

O final os fãs conhecem. Após esta turnê eles se separaram. Credic e o guitarrista Omar formaram o Mars Volta. O restante formou o Sparta. Duas bandas que são ótimas, e rendiam boas músicas juntos.

Abaixo vídeo do hit One Armed Scissor, no Jools Holland Show:

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Top5 refroes non sense do Jorge Ben Jor

jorge ben jor

Estou participando de um blog ultra divertido com alguns amigos do trabalho: chama-se 5great, e pretende destacar em seus posts a lista de top 5… de qualquer coisa! A minha primeira não poderia ser diferente: lasquei uma lista de top5 sucessos (non-sense) do Jorge Ben Jor. Como será que ele consegue compor refões tão estranhos e tão grudentos? É engraçado notar que essas são, normalmente, as únicas partes que o salão canta em uníssono quando as músicas do JBJ são tocadas.

Confira a lista:

1. Tê Tê Tê, Têtêretê
Tê Tê, Têtêretê
Tê Tê, Têtêretê
Tê Tê… (Taj Mahal)

2. Alô, Alô W o Brasil
Alô, Alô W o Brasil… (W/Brasil)

3. Sacundim, sacundém
Imboró, congá
Dombim, dombém
Agouê, obá
Sacundim, sacundém
Imboró, congá
Dombim, dombém
Agouê
Agouê, oh! oh! oh! obá
Agouê, oh! oh! oh! obá
Agouê, oh! oh! oh! obá… (Chove Chuva)

4. Zambá, Zambé, Zambí
Zambó, Zambú, Zambá…(2x) (Banda do Zé Pretinho)

5. Espirogiro é spyrogira! (Spyrogira Story)

Radiohead tocando Smiths

No seu webcast do dia 9 de novembro do ano passado o Radiohead mandou a absurda The Headmaster Ritual, do Smiths. Indicado para fãs de Legião Urbana. Imperdível e abaixo.

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Entrevista de Collin Greenwood

Pitchfork: Eu li uma entrevista com o R.E.M. recentemente e eles discutiam sobre como sofreram nos últimos discos porque a banda não estava se comunicando. Quanto importante você acha que é a relação interpessoal no Radiohead? Vocês se encontram fora as obrigações da banda?

Colin Greenwood: Bem, nós nos encontramos muito fazendo as coisas da banda. Agora, nós estamos colocando nosso tempo nas nossas coisas antes de voltarmos a ficar enclausurados. Mas meu agente me mandou o Some Kind of Monster quando nós estávamos começando a gravar este album e eu levei muita a sério este documentário. Eu assisti ele umas seis ou sete vezes. Manja: Dr. Phil [Towle-- não aquele Dr. Phil], banda disfuncional preparada para gravar o sétimo disco ou algo do tipo. Nós não pegamos Dr. Phil, o que é uma vergonha de uma certa forma.

Pitchfork:Então você se reconhece naqueles apuros do Metallica?

Colin Greenwood: Totalmente. Além disso, Jonny nos trouxe no documentário da tour de 2006 do Pixies, que foi realmente delicado– eles foram obviamente todos danificados pelo que estavam passando e você pode ver isso. Eu acho isso lindo. Você passa por todas essas experiências juntos e você está consciente das sensibilidades. Eu diria que se você tem o documentário de 2006 do Pixies e Some Kind of Monster, você tem um bom entendimento de como funciona a dinâmica de uma banda.

Cinema mais musica

Parece que os deuses da música e do cinema resolveram investir a favor dos que amam as duas artes e encharcar os cinemas com produções. Além das super produções de diretores famoso, como Martin Scorsese, os pequenos também têm vez.

O festival “É tudo verdade” deste ano traz diversas bandas e artistas como mote dos curtas: Caetano Veloso, Waldick Soriano e Wilson Simonal do lado tupiniquim e Joy Divison e Buena Vista Social Club do lado internacional.

O festival vai passar por 6 cidades brasileiras: São Paulo (SP), Bauru (SP), Brasília (DF),Rio de Janeiro (RJ), Recife (PE) e Caxias (RS). Como o nome sugere, “É tudo verdade” pretende destacar as produções de documentários e tem se firmado como um dos maiores eventos dedicados ao tema do mundo. Visite o site oficial do evento e não perca!

Martin Scorsese e o documentário sobre Bob Marley

Martin Scorsese está a lançar seu terceiro documentário sobre artistas. Após lançar o fantástico “No Direction Home” sobre Bob Dylan, e “Shine a Light” sobre os Rolling Stones o diretor pretende filmar um sobre o deus do reggae, Bob Marley.

Já escrevi sobre o documentário que trata de Bob Dylan e ainda não assisti Shine a Light, mas pretendo ver em breve. O motivo pelo qual discorro agora sobre Martin é a inesperada batalha que os produtores de seu filme e de outro filme também sobre Bob Marley estão travando.

A disputa é pela música de Bob Marley. O “outro” documentário, produzido pela Weinstein Co., não tem autorização para usar as músicas do astro para ilustrar suas imagens. Isso apesar de sua viúva, Rita Marley, estar entre as produtoras-executivas do projeto. Os familiares de Marley que não permitiram que as músicas fossem veiculadas por ficarem irritados ao saber que o documentário da Weinstein Co. está previsto para estrear no final de 2009, sabendo que o filme de Scorsese irá estrear no começo de 2010.

Detalhe: o filme de Scorsese terá como produtora a Tuff Gong Picture, de propriedade dos familiares de Bob Marley. Suave…

Sindrome de Edson Arantes e Pele

Se tem coisa que eu não consigo fazer é separar é o Edson Arantes do Pelé. Sou obrigado a admitir que o Pelé fez coisas geniais, como aquele gol após um chapéu no zagueiro nos altos de 1958. Entretanto há de se concordar que aquele sujeito que fez piruetas pelo Santos e Seleção Brasileira não se parece em nada com o Edson Arantes, acusado de tantas malcriadagens pelo Brasil afora.

Questionado acerca de suas atitudes, o rei do futebol pediu o impossível: “Por favor, não confundam o Pelé com o Edson Arantes”.

Cusparadas, xingamentos e xiliques são apenas alguns dos exemplos de atitudes que permeiam os artistas da bola e dos palcos, alvo constante das peripécias deste blog. O comportamento fora de gramados - e de palcos - consegue deturpar toda e qualquer imagem de um popstar, distanciando a música feita do ouvido de qualquer ser que se propõe a raciocinar sobre música. E não é comportamento politicamente correto que eu peço, não. Muito menos coerência. Bom senso?

A primeira imagem que me vem à mente no quesito arte-boa-e-comportamento-mal é o angelical Lionel Ritchie (de Easy e Endless Love, lembram?). O sujeito, dono de muitos hits (parcerias com Diana Ross, etc), foi acusado de espancar a esposa em alguns episódios nos anos 80, quando entrou em plena decadência e desapareceu. Em evidência só deixou sua filha, Nicole Ritchie, que em parceria com Paris Hilton apronta de vez em quando nas ruas de Hollywood.

Um estudo deveria analisar o que se passa na minha cabeça quando escuto Easy, por exemplo. Quase me dá um nó, exatamente como quando colocamos uma mão em uma bacia quente e a outra em uma fria. Os versos soam quase que sádicos! Em defesa do músico só podem estar os casais que se formaram nas noites dos bailinhos, agora casados e com filhos endiabrados.

Existem os artistas que procuram ser notícia, também, e usam de sua vida privada um trampolim para as vendas de discos. Se a mídia influencia, e os empresários impulsionaram cenas inexplicáveis para tornar o artista capa de jornal são quinhentos que seriam impossíveis discutir aqui, em poucas linhas. Estou preocupado com essa síndrome de Edson Arantes e Pelé, que é um mal que me assola, distanciando meu ouvido de artistas que não me parecem ser pessoas decentes.

Pra finlizar, as perguntas: O artista que você mais gosta é alguém que valha a pena conhecer? Aliás…essa questão realmente importa para os fãs?

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