Chico Buarque e as referências de Picasso

Na letra “A Banda”, Chico Buarque narra a entrada na cidade do conjunto de circo que se apresenta nos próximos dias. Esta cena é muito comum em cidades do interior até um tempo atrás, quando as caravanas viajavam e, para fazer uma espécie de propaganda e anúncio de que iriam se apresentar nos próximos dias, passeavam em bloco pela cidade convocando os moradores a assistires os espetáculos com sua banda.

Ainda na letra, durante os versos Chico narra a mudança que essa caravana lidera nos olhos da pacata cidade. “O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou / Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou /A moça feia debruçou na janela / Pensando que a banda tocava pra ela”. Essas mudanças são momentâneas e têm um período de duração limitado, mas promovem uma alteração importante dos participantes da cena - que se no momento anterior se viam incapazes e desmotivados agora são principais e têm uma nova perspectiva da realidade.

Picasso - entre outros artistas - pintou o mesmo tema em seu quadro ‘Parade’ - a tranformação. Depois que fundou o cubismo e passou por algumas vertentes, Picasso voltou às origens e pintou quadros de diversos estilos: da sua fase azul, rosa e, principalmente, com temas folclóricos e cotidianos.

Em ‘Parade’, Picasso deixou de lado os traços cubistas e mostrou uma tela gigante um tema extremamente prosaico com um charme não utilizado pelos cubistas, acostumados com colagens e materiais que simulam texturas. A cena é cercada por cortinas vermelhas, que espetacularizam uma ação quase mitológica: arlequim, pierrot e colombina estão em ação ao lado de Pégasus - o mesageiro de deus.

As duas obras se encaixam na medida em que desafiam o público a enxergar a vida sob outra perspectiva, apreciando temas não grandiosos mas importantes - uma das funções da Arte. Abrir os horizontes para novos pensamentos, além da reavaliação de princípios são iniciativas abandonadas e altamente caricaturais no contexto midiático que vivemos.

Escute música conforme seu humor

O Musicovery é uma start-up lançada há algum tempo já e é frequentemente usada e relacionada entre os sites mais interessantes pra se escutar música. Na sua única página - o que torna o mecanismo muito simples - você controla seu humor, o estilo de música que deseja ouvir, a época da música que deseja ouvir e o ritmo em alguns cliques.

O mais incrível é que a partir destas seleções uma nuvem de artistas surge com diversas sugestões para que o usuário descubra novos artistas com as mesmas características em outras épocas. É uma ferramenta incrível que, junto com Last.fm, empolga qualquer fanático por música.

Análise de The Wall, do Pink Floyd

Pink Floyd The Wall

Pink Floyd The Wall

Álbum conceitual é o preferido pelas pessoas que gostam de analisar letras de música. Desde o começo da onda deste tipo de discos, os dois que mais me chamaram atenção foram o The Wall, do Pink Floyd, e o Ziggy Stardust and The Spiders from Mars, do David Bowie. Os que gostarem muito do disco do Pink Floyd e quiser saber um pouco mais de cada música e do disco inteiro pode conferir através da página dedicada à análise do disco inteiro.

Natureza Selvagem - Trilha Sonora por Eddie Vedder

Na Natureza Selvagem

Na Natureza Selvagem

A trilha sonora de Into the Wild (Natureza Selvagem, em português) é fantástica. Minha última aventura por músicas em filmes trouxe um disco muito forte feito por Eddie Vedder, que não anda muito inspirado no Pearl Jam. O trabalho é fruto de um relacionamento de Eddie com o diretor do filme, Sean Penn, que o convidou para compor ainda em 2007. Os dois já haviam se cruzado nas últimas atuações de Penn, Dead Man Walking e I am Sam - Vedder executou faixas que se transformaram em trilha sonora para os dois filmes.

Natureza Selvagem é o primeiro disco completo e solo do vocalista do Pearl Jam. O processo de composição entre os audiovisuais é o usual: durante os cortes das cenas do filme o músico assistiu as peças e, inspirado pelas cenas do jovem Chris McCandless, escreveu algumas letras, recolheu outras composições, juntou as peças e fez um ótimo trabalho. Misturou temas folks, guitarras cadenciadas, dedilhados de violas e, com temas bastante americanos, cantou as angústias e vereditos do rapaz que abandonou a vida em sociedade. “Society, you’re a crazy breed / Hope you’re not lonely without me” (Sociedade, você é uma raça maluca, espero que não se sinta só sem mim), cantou Eddie em Society, talvez a melhor faixa do disco e a que mais diretamente relaciona a música ao filme.

É uma das poucas trilhas sonoras que, se o filme é enriquecido infinitamente com as músicas, consegue ganhar vida própria fora de filme, seja para lembrar das cenas seja para inspirar novas aventuras.

Gabriel García Marquez e os Beatles

Gabriel Garcia Marquez

Gabriel Garcia Marquez


É inevitável pensar que autores consagrados tenham um dom artístico sobrenatural e tenham experimentado, além do que podemos imaginar, artes que não estão acessíveis para nenhum ser humano comum. Se me fosse perguntado, diria com a mais absoluta certeza que estes serem escolhidos de deus escutam somente seus pensamentos, música suficientemente explosiva para qualquer ouvido bem preparado.

Foi com este pensamento infantil que me deparei com as confissões de Gabriel García Márquez, meu autor preferido dos últimos anos. Entre a descrição dos tempos em que escrevia O Amor Nos Tempos do Cólera e Cem Anos de Solidão, e entre os devaneios que criaram Macondo e a família caribenha Gabo deixou escapar que nunca foi tão inspirador escutar Beatles e seu Help, i need somebody.

Escreveu sobre a inspiração que teve e o choque que os garotos de Liverpool submeteram uma geração inteira de latinoamericanos, que estavam mergulhados em suas ditaduras políticas: foi o estopim para a libertação.

“Esta tarde, pensando tudo isso frente a uma ventania lúgubre de onde cai a neve, com mais de cinquenta anos em cima e todavia sem saber muito bem quem sou, nem que caralho faço aqui, tenho a impressão de que o mundo foi igual desde o meu nascimento até o momento em que os Beatles começaram a cantar. Tudo mudou desde então. Os homens deixaram crescer o cabelo e a barba, as mulheres aprenderam a se desnudar com naturalidade, mudou o modo de vestir e de amar, e se iniciou a liberação do sexo e outras drogas para sonhar.”

Little Joy

ENCONTRE AS LETRAS DO MYSPACE DO LITTLE JOY AQUI!

Uma grata surpresa. Com essa sensação aguardo o lançamento do disco do Little Joy, projeto paralelo de Rodrigo Amarante e Fabrizio Moretti. O primeiro é guitarrista e vocalista do Los Hermanos, que está parado já há algum tempo, e o segundo é baterista do Strokes, cultuada banda nova-iorquina que dispensa apresentação.

Encontraram-se para fazer um bom som, que vem a tirar a juventude da lama em tempos de emocore, hiphop e atrizes. Não que eles tenham a pretensão de mostrar o que é boa música, porque a dúvida de com qual banda continuar eles não querem ter; mas se divertir tocando um jazz descompromissado e com boas melodias parece ser o verdadeiro intuito do Little Joy. Uma boa pedida para os que nunca se aventuraram nos tempos das divas e uma boa arejada nos ares dos que não tiram os discos de jazz da vitrola.

Rodrigo Amarante parece à vontade diante do baterista e músicos que salvaram o rock em 2000.O autor de bons versos como “se já não podemos rir um do outro meu bem, o que nos resta é chorar” ataca com letras em inglês, mas não perde sua característica vocal. O que mais me agrada é sua afinação, que não é forçada, mas alcança notas muito agudas e variações muito agradáveis. Ótimo para os cantaroleiros de plantão, que não perdem uma boa letra e melodia.

Não deixe de conferir as primeiras músicas gravadas para o disco que sai dia 4 de novembro no myspace da banda. Aguardo ansiosamente e escrevo mais, com certeza.

Buscadores de música - FoxyTunes

FoxyTunes

A principal característica do Foxytunes é a organização espacial das informações. O Yahoo! mandou muito bem neste buscador, que consegue colocar em uma página de resultados fotos, vídeos, informações do modo Wikipedia, Last.fm para ouvir o artista, discos na Amazon, enfim: a página inicial para os fanáticos por artistas conhecidos ou não.

Apresenta também uma opção de mostrar o artista no blog, como apresentado abaixo, e um leque de opções para aqueles que adoram pesquisar novos artistas, via artistas similares.

Red Hot Chili Peppers

Red Hot Chili Peppers are a Californian rock band who have combined aspects of funk and hip-hop with rock and roll, pioneering funk metal. The band started in 1983. more…

[via FoxyTunes / Red Hot Chili Peppers]

Confira mais do FoxyTunes nos exemplos a seguir: Bob Dylan, Madonna e Jamiroquai.

Análise de “Cegos do Castelo”, de Nando Reis

Sérgio foi muito pertinente com sua observação sobre a letra “Cegos do Castelo”, que Nando Reis gravou com os Titãs. Nando tocou baixo por muitos anos na banda que o consagrou, e atualmente segue carreira solo e mantem uma coluna semanal no jornal O Estado de São Paulo.

Confira a análise de Sérgio:

“Oi, Flor. Boa tarde.
Sua análise desta bela letra do Nando Reis tem tudo a ver. No entanto, apenas como crítica construtiva, desejo dar alguns toques. Creio que além desta visão mais global, a letra traz uma posição mais específica que se refere a um possível afastamento das drogas. É sabido que o Nando enfrentou muitos problemas com drogas pesadas e, após vários tratamentos, se limpou. Nesta música ele procura mostrar os danos causados sob a influência das mesmas utilizando imagens: “Eu não quero mais mentir: usar espinhos que só causam dor”… Isso é tão somente o desejo de se livrar da tentação de buscar a sensação de bem-estar (mentira) que uma picada (espinho) nos proporciona. “Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu”… (Idem). “Dos cegos do castelo eu me despeço e vou…” Afinal, quem são os cegos do castelo? Simplesmente são as amigos da “rodada”, que ele considera ainda cegos por não conseguirem “enxergar” o mundo fora das muralhas (castelo) das drogas. E por aí vai. No final ele confessa a uma possível pessoa amada que ele precisa daquele apoio, do aconchego de um lar. E o artista faz questão de enfatizar numa linguagem bem simples e familiar (”vou cuidar do seu jardim”… “cuidarei do seu jantar”) que é na simplicidade de uma estrutura familiar que se encontra força pra fugir das tentações mundanas. Espero que minha análise tenha servido de alguma ajuda. Obrigado.”

Versões reggae de clássicos do rock

Versões de músicas já consagradas em geral não me agradam muito. Isso porque a mesma idéia é repetida incessantemente: um músico pega um violão e, no máximo, coloca sua versão reduzida para algum clássico, o que o torna mais pobre e sem personalidade. Não é o caso dos discos que pude ouvir recentemente de versões reggae de Bob Dylan, Radiohead e Pink Floyd.

O primeiro é Is it rolling Bob? A reggae tribute to Bob Dylan, um disco duplo de versões reggae e dub dos clássicos do Bob Dylan cantados por ícones do reggae mundial. Este disco é uma obra prima por, além de dar uma personalidade interessante às músicas desenvolve as melodias de uma forma a complementar os sons. Os vocais femininos são o ponto alto do disco, colocando uma sensualidade até então invisível nas letras de Dylan.

bob dylan reggae versao

Is it Rolling Bob? - A reggae tribute to Bob Dylan

A track list do álbum é o seguinte:

1. The Times They Are A-Changin’ - Apple Gabriel
2. Maggie’s Farm - Toots Hibbert
3. Just Like A Woman - Beres Hammond
4. Lay, Lady, Lay - The Mighty Diamonds
5. Gotta Serve Somebody - Nasio
6. Knockin’ On Heaven’s Door - Luciano
7. The Lonesome Death Of Hattie Carrol - Michael Rose
8. Subterranean Homesick Blues - Sizzla
9. Mr. Tambourine Man - Gregory Isaacs
10. Don’t Think Twice, It’s All Right - JC Lodge
11. One Too Many Mornings - Abijah
12. Blowin’ In The Wind - Don Carlos
13. A Hard Rain’s A-Gonna Fall - Billy Mystic
14. I And I (Reggae Remix) - Bob Dylan

Os dois outros discos, com regravações de Pink Floyd e Radiohead, foram feitas por uma banda que faz exatamente o motivo da pauta: regravações reggae de clássicos da música. A banda Easy Stars All-Stars é de Nova Iorque e gravou The Dub Side of the Moon, disco-tributo a The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, e Radiodread, disco-tributo a Ok Computer, do Radiohead. Os dois discos são muito bem gravados, com múltiplos vocais - alguns femininos muito oportunos também - e personalidade marcante da banda que acompanha.

O destaque cômico fica por conta dos efeitos, que são substituidos por efeitos do universo reggae. Confira por você mesmo e role de rir, principalmente as versões do Pink Floyd.

The Dub Side of the Moon

The Dub Side of the Moon

Radiodread

Radiodread

As faixas dos dois discos:

The Dub Side of the Moon:

1. Speak To Me / Breathe ((In The Air) featuring Sluggy Ranks)
2. On The Run
3. Time (featuring Corey Harris & Ranking Joe)
4. The Great Gig In The Sky (featuring Kirsty Rock)
5. Money (featuring Gary “Nesta” Pine & Dollarman)
6. Us And Them (featuring Frankie Paul)
7. Any Colour You Like
8. Brain Damage (featuring Dr. Israel)
9. Eclipse (featuring The Meditations)
10. Time Version
11. Great Dub In The Sky
12. Step It Pon The Rastaman Scene (featuring Ranking Joe)
13. Any Dub You Like

Radiodread:

1. Airbag
2. Paranoid Android
3. Subterranean Homesick Alien
4. Exit Music (For A Film)
5. Let Down
6. Karma Police
7. Fitter Happier
8. Electioneering
9. Climbing Up The Walls
10. No Surprises
11. Lucky
12. The Tourist
13. Exit Music (For A Dub)
14. An Airbag Saved My Dub (Bonus Track)

Raridades dos Ramones

Pros fanáticos pelo quarteto novaiorquino o YouTube é um prato cheio. Por lá estão as primeiras imagens de shows feitos pelo Ramones, quando a banda mal tinha se formado e se preparava para revolucionar o comportamento dos jovens dos anos 70 sem nenhuma filosofia paz e amor.

Segue a sequencia de vídeos com as primeiras aparições da banda, ainda em 1975:

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