Faça o download do App do Análise de Letras para Android! É grátis!

Não posso ficar nem mais um minuto com você
Sinto muito amor, mas não pode ser
Moro em Jaçanã,
Se eu perder esse trem
Que sai agora as onze horas
Só amanhã de manhã.
Além disso mulher
Tem outra coisa,
Minha mãe não dorme
Enquanto eu não chegar,
Sou filho único
Tenho minha casa para olhar
E eu não posso ficar.



Qual é a sua interpretação?





*



4 Comentários

A vida boêmia da época e a sensação de ingênua malandragem leva a crer que o enamorado tem por intento se desgarrar da amante, para curtir a noite paulista, regada a muito samba e vícios da carne. Para tanto, levanta justificativas irrefragáveis: o horário do trem e o amor do filho único pela mãe.

lulu

Música: Trem das onze.
Compositor: Adoniram Barbosa.
Intérprete: Demônios da Garoa.

Letra:
Não posso ficar
Nem mais um minuto com você
Sinto muito amor
Mas não pode ser.
Moro em Jaçanã,
Se eu perder esse trem,
Que sai agora às onze horas,
Só amanhã de manhã.

E, além disso, mulher,
Tem outra coisa,
Minha mãe não dorme
Enquanto eu não chegar.
Sou filho único,
Tenho minha casa pra olhar.

Análise Semiótica
Na música “Trem das onze” a categoria semântica fundamental é o amor carnal x amor maternal. E pode-se dizer que as oposições manifestam-se nas frases:
“Sinto muito amor “Minha mãe não dorme
Mas não pode ser.” Enquanto eu não chegar.”
Essas categorias podem ser analisadas em positivas ou eufóricas, no qual se insere a vontade do rapaz em ficar com o seu amor carnal, em negativa ou disfórica, que corresponde a obrigação de ficar com a mãe.
Portanto, como conteúdo mínimo fundamental tem-se a afirmação eufórica de ter a sua liberdade com relação à vida amorosa, como positiva, e a negação disfórica de sempre estar preso a sua mãe, por ser o filho único, como negativa.
No segundo patamar, trata-se do nível das estruturas narrativas.
“Trem das onze”, neste patamar é a história do sujeito (homem oculto), que é “preso” por outro sujeito (a mãe), por ser filho único e morar somente os dois, e dessa forma ter a obrigação de protegê-la por ser o homem da casa, este sujeito encontra-se num dilema: em querer ter sua vida pessoal com sua amada, mas que no fim sempre tem que voltar para sua mãe; pois ela como diz a letra da música, “não dorme enquanto ele não chegar”, e ele fica preocupado em perder o “trem das onze”, pois se o perder, só poderá voltar para casa no dia seguinte, deixando assim, sua mãe sozinha; não conseguindo ter sua liberdade pessoal.
A última etapa do percurso gerativa é o nível das estruturas discursivas. Nesta etapa “Trem das onze” revela-se em sua letra a fugacidade do tempo que está associado ao limite da sua vida, que tudo nela é cronometrado, e que não podemos quebrar este tempo, porque iremos falhar com a obrigação do dia-a-dia.
Dessa forma, pode-se observar que a letra da música em questão, aborda temáticas do cotidiano, tais como:
a) Tema da obrigação de estar ligado ao tempo cronológico da sociedade;
b) Tema da vontade adolescente em querer ficar com o seu parceiro, mas que é freado pela família;
c) Tema da obrigação humana em ser responsável pela família;
d) Tema da não liberdade, de sempre estar preso aos preceitos impostos pela sociedade;
Por fim esta análise mostrou segundo Diana Barros, como se articulam as etapas do processo gerativo do sentido e como a semiótica dele se serve para ler textos.

Como a maioria dos sambas da época, retrata a vida boêmia, que muitos sambistas viviam. É mais um samba que fala do final da festa, onde um pouco de razão chega aos amantes da noite, e passam a refletir sobre os problemas que terão pra e ao chegar em casa.

Qual é a sua interpretação?

-->